Abril 2010


Eu sou filho do amor e do ódio. O Jesus dos Subúrbios.
E o que isso significa?
Nada.
Em todo viés econômico e político eu fui sentenciado e subjulgado.
Em termos práticos eu fui reduzido a nada.
Em tentativa de estruturar-me, acabei por não ser ninguém. E todos se esqueceram de mim.
Mas meus anseios e minha dúvidas se tornaram algo. Algo que não sei discernir.
Eu fujo e corro destes anseios (assim como outras pessoas o fazem) e por isso, olham-me com certa pena (talvez tristeza?) de que todo meu provável potencial se perca em meio a tais angustias.
Não sei bem ao certo o que sei. Mas sei que sei algo.
Sei que não quero ter o que saber.
Será tudo isto em vão?
Ao passo que o viés econômico volta a assombrar minha mente de modo um tanto quanto sério, sou obrigado a deixar de lado meus sentimentos e pensar de modo prático.
Eu sei quem sou, mas ninguém sabe quem sou.
Por ora, isto basta.
Dando segmento a estas sedimentações e desertificações incomuns, há de se relembrar que o viés político ainda se faz sentir.
Não sei ser político. Não cresci político.
Sei o que nada sei e sempre busco a sinceridade. Às vezes esta sinceridade se apresenta de uma forma até comedida, mas justificável. Ao menos para mim.
E por ora, isso basta.

… Neste viés, a sociologia se mescla de forma primordiosa às demais ciências, fazendo com que tudo parecesse melhor.
Temos neste sentido, a eterna busca pelo poder, começando nas cédulas-espelho da sociedade (a família), sendo esta a mais complexa a existir.
Em tais cédulas, mescla-se as relações interpessoais, bem como a adoção de papeis, aos quais tentem a ser ignorados ou, em casos mais extremos, a adoção de um único papel a ser desempenhado por determinado indivíduo-membro destas cédulas, e o sentimentalismo tente a ser um fator de vital importância ao se examinar determinadas cédulas.
Esta cédula-espelho serve como primeiro termômetro para a vida em sociedade, sendo a projeção do indivíduo em referencia ao Estado e as demais relações interpessoais aos quais estará exposto.
Não se trata de uma simples interpretação teórica sobre a adoção de papeis e a projeção deste conjunto de papeis aos quais se submeterá, e sim de um viés prático de como esta projeção se dará.
Ao despirmos o indivíduo de todos os papeis aos quais ele assume perante a sociedade, temos a verdadeira natureza deste indivíduo, e apenas assim poderá ser obtido a des-trancendentalização e a real averiguação dos valores inerentes a todos.
Trata-se de uma real valorização do indivíduo enquanto indivíduo, e não pela adoção dos papeis aos quais ele se submete/assume em detrimento a outrem, e a caracterização das ciências (não apenas a sociologia) e como estas se relacionam com o tema…

Blam! Foi assim que aconteceu. Ou ao menos assim me contaram.
Ouvi dizer que ele passou anos reprimindo certos aspectos em seu coração, e que passou meses meditando sobre seu Eu interior. Soube até que fez jejum por sete dias e sete noites.
Assim eu ouvi.
E hoje, lá está ele, afogando em seus próprios sentimentos. Sentimentos que achava ter dominado por completo?
Como pode ter se considerado mestre de si mesmo e ainda assim permitir que isto acontecer?
És nada mais do que um reles mortal que mal sabe se cuidar. Aprendeu a usar o raciocínio e esqueceu do coração. Hoje em dia seu coração grita muito mais alto que seu intelecto.
“Disseste que se tua voz, tivesse força igual, a imensa dor que sentes, teu grito acordaria não só a tua casa, mas a vizinhança inteira”.
Será que é assim que ocorre? Pois ouço os gritos. Sinto a racionalidade digladiar com a emoção em uma batalha épica.
É como colocar os Deuses de si mesmo em confronto direto.
Mas, por que este pobre idiota, este bebê não simplesmente escolhe um lado?
É impossível.
Eles irão digladiar por meses até que a exaustão apazigúe os ânimos e, talvez assim, possa ser obtida alguma paz relativa.

Trata-se do antes, do agora e (se houver) um depois.