Estava a observar a vida passar de forma lenta enquanto a chuva caia de forma continua e sagaz. Esta é a parte mais tranqüila de trabalhar em uma repartição pública destinada a auxiliar judicialmente os que necessitam (trabalhar? O termo correto seria estagiar, mas trabalho ainda é trabalho): “quando a chuva cai”, o movimento reduz de forma significativa, como se ninguém precisasse de auxilio nestes momentos.
Enfim, vendo a vida passar de forma clara e arrastada.
Nestes momentos, gosto de repassar mentalmente alguma idéia acadêmica que surgiu em minha [sábia] mente [insana]. Atualmente tenho pensado em teorias cognitivas e de linguagem.
É… Pensa em tais coisas definitivamente direcionam totalmente meu pensamento e me afastam da idéia original da postagem.
Pensei na vida como milagre. Será mesmo? Ao longo da história humana, os movimentos humanos eram esparsos e parecia haver determinado sentido em uma reprodução em massa devido à dificuldade de pequenas concentrações humanas tinham de conseguir prover seu próprio sustento.
Mas e aquele individuo que pode ser avistado no meio do nada com uma sacola jogada nas costas andando para Deus sabe onde? Seria este o milagre da vida?
Não obstante as diversas filosofias urbanas e de crescimento desenfreado, parece meio precipitado colocar um propósito em alguém que não utiliza todo seu potencial humano.
Estou sendo radical? Não. Não estou generalizando nada. É apenas um exemplo simplório. Outros podem ser utilizados com toda a riqueza de exemplificação sem que o sentido seja perdido. Podem-se citar as inúmeras tentativas de re-socialização de indivíduos que não desejam se socializar, bem como as diversas camadas sociais que utilizam de seu intelecto apenas para se sentar em frente a um monitor de LCD de 42 polegadas e assistir aos inúmeros canais disponíveis em assinaturas cada vez mais acessíveis…
É como se ao longo da historia humana, o próprio propósito humano houvesse se perdido em meio a um desordenado senso comum de démodé.
Quando se observa tudo de um prisma trincado, dá para entender a obra de Baudrillard com grande clareza. É nos extremos que toda natureza se manifesta de forma clara.
Em meio a teorias cognitivas e de linguagem, há de sempre se esperar que o propósito maior de toda a existência humana realmente resida em algum lugar totalmente diferente do conhecido pela ciência ortodoxa, pois só assim é que determinadas existências poderão ser justificadas.