Neurose de mim mesmo Malvados Subscribe to my feed

Fernando Pessoa Estou ouvindo

Estou ouvindo

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Domingo 25 de abril de 1852 morre na cidade do Rio de Janeiro o poeta romântico Manuel Antônio Álvares de Azevedo, era páscoa e aos 20 anos deixou sua bagagem poética marcando a segunda geração romântica. Hoje páscoa de certa forma aniversário de morte de Álvares de Azevedo venho prestar uma singela homenagem a esse poeta, que dessa forma tem dois aniversários de morte o que não deixa de ser poético.

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MORENA

É loucura, meu anjo, é loucura
Os amores por anjos… bem sei!
Foram sonhos, foi louca ternura
Esse amor que a teus pés derramei!

Quando a fronte requeima e delira,
Quando o lábio desbota de amor,
Quando as cordas rebentam na lira
Que palpita no seio ao cantor…

Quando a vida nas dores é morta,
Ter amores nos sonhos é crime?
E loucura: eu o sei! mas que importa?
Ai! morena! és tão bela!… perdi-me!

Quando tudo, na insônia do leito,
No delírio de amor devaneia
E no fundo do trêmulo peito
Fogo lento no sangue se ateia…

Quando a vida nos prantos se escoa
Não merece o amante perdão?
Ai! morena! és tão bela! perdoa!
Foi um sonho do meu coração!

Foi um sonho… não cores de pejo!
Foi um sonho tão puro!… ai de mim!
Mal gozei-lhe as frescuras de um beijo!
Ai! não cores, não cores assim!

Não suspires! por que suspirar?
Quando o vento num lírio soluça,
E desmaia no longo beijar,
E ofegante de amor se debruça…

Quando a vida lhe foge, lhe treme,
Pobre vida do seu coração,
Essa flor que o ouvira, que geme,
Não lhe dera no seio o perdão?

Mas não cores! se queres, afogo
No meu seio o fogoso anelar!
Calarei meus suspiros de fogo
E esse amor que me há de matar!

Morrerei, ó morena, em segredo!
Um perdido na terra sou eu!
Ai! teu sonho não morra tão cedo
Como a vida em meu peito morreu!

Álvares de Azevedo
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Linha
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Forte Abraço!!!!
  • Confira:

4 Respostas to “Ao Maneco”

  1. India Says:

    Eu espero encontrar a mim mesma no rosto de alguém…vc não?Beijos e boa semana pra nós!

  2. marilyn Says:

    Sempre vejo mil rostos, mas poucos são familiares e constantes…

    Eu adoro Álvares de Azevedo!
    Lembrei dos tempos de colégio que eu tanto lia e relia!
    E sem fazer bico ou manha, hein! :D
    Beijo!
    Obrigada pela força, Dj!
    Preciso demais…

  3. Élcio Says:

    No deleite de poemas assim, q parecem tao faceis de ser escritos é q me coloco em meu devido lugar e vejo o qto ainda me falta p um dia ter o titulo de poeta.

    Adorei a aula de historia e nao menos o poema.

    Por essas e outras q vale a pena estar em blogs como esse seu.

    É isso ai.

    Parabens e boa semana.

  4. jéssica corrêa Says:

    sem dúvida, Álvares de Azevedo é o “poeta da dúvida”, esse é o cara

Deixe sua resposta!!