Neurose de mim mesmo Malvados Subscribe to my feed

Fernando Pessoa Estou ouvindo

Estou ouvindo

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A Voz Do Silêncio

Pior do que a voz que cala,
é um silêncio que fala.

Simples, rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
“Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!”

É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.

Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.

E fala alto.

É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem.

Marta Medeiros

Linha

Quem souber o que ela quis dizer é só me deixar um recado.
Grande Abraço!!!

Linha

  • Leia também:
Fernando Pessoa - Poema do Dia: “De Apolo”

8 Respostas to “Diz alguma coisa”

  1. Karina Says:

    Bom dia querido!
    Concordo sim que o silêncio é desesperador e muitas vezes nos dilacera.
    Mas, assim como tudo na vida existe um “mas”, quero te dizer que o silêncio pode ser traidor pra quem o sente. Nem sempre quem deixa de falar alguma coisa, o faz por ser ruim o que deveria ser dito. Muito pelo contrário.
    As vezes o silêncio que é preocupante pra uns, é resposta pra outros.
    Jogar limpo não é dizer tudo o que pensa e sente, sabemos disso por momentos aqui mesmo vividos e que mostram que as vezes existem coisas que mesmo que o outro queira, não deve ser dito.
    “As palavras não podem ser apagas depois de um avez ditas, e toda a conseqüência disso é exatamente a mudança que ocorre dentro de nós depois de ouvir o que tanto queríamos. O desejo de ouvir novamente acaba.”
    Tenha um excelente fim de semana, adoro vc.
    Saudades!
    Karina

  2. Bill Says:

    Hum… 5 letras… Com essa imagem ai…
    Certo…
    Ahhhh x)~~~~~~
    Abobrinha, opa passou, xuxu, opa não é com a nem tem 5…Avestruz, hum não… Alien esse pode ser (=

    Pode escolher
    :)~~~~~~~~~~~~~~

  3. AcidStorm Says:

    ás ezes o silêncio é mais doloroso que milhões de palavras.

    um abraço.

  4. Sammyra Says:

    Dj, qto tempooooooooo!
    Saudade danada de tu!
    É amigo, o silêncio muitas vezes fala tudo!
    Gostei do poema da Marta Medeiros!
    Ahhhh, to com blog novo. Bom, na verdade é o mesmo Borboleteando, mas num canto novo, dessa vez dá pra tu comentar lá! Visiita e adiciona aí no teu!
    Tu já tá lá, Ó-B-V-I-O!Sou fã desse blog aqui! x)
    Beijinho pra ti!

    P.S.: até hj espero meu cartão de natal… hunf! (rs)

  5. Késsia Nayane Says:

    Adeus .

  6. Alexandre Catozzi Says:

    O silêncio grita em nossos ouvidos palavras verdadeiras, muitas vezes silenciadas por nossas bocas mentirosas.

    “Ajuda” (5letras)

  7. virginia Says:

    adoreiii…
    me identifico com tudo o que ela escreve e gostaria de me comunicar com pessoa que pensam assim tb

  8. Tadeu Tanuri Says:

    Pessoa muito querida me aplicou Martha Medeiros, na veia …foi overdose quase sucumbi de paixão.

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