18 de Novembro de 2008

Vida vazia

Muitas vezes achamos a vida vazia e ruim por demais. Amyr Klink disse "um dia é preciso parar de sonhar, tirar os planos da gaveta e, de algum modo, começar."

Mas como começar? Começar não é tão simples. Precisamos mudar para começar. E a mudança sempre implica uma perda. Temos que abdicar de algo para mudar, para fazer um novo começo. Começos exigem preparação psicológica. Começos e mudanças assustam. Não basta ter um plano, foco, projeto, sonho. Tem que ter vontade também. E força de vontade. Energia. Força interior e coragem. Acho que a palavra-chave é coragem. Arregaçar as mangas e dizer pra si mesmo "vou encarar". Não basta querer.

Dizem que querer é poder. Não concordo. Vontade não é tudo, é importante, fundamental, uns 30%. Mas não basta. É somente um passo. O resto é coragem.

Quando a vida está vazia e ruim por demais, vemos os defeitos, os contras e os erros. Enxergamos com clareza o que está fora do padrão. Fora de esquadro. E pra dar a volta por cima? Mudar? Modificar? Transcender? Não é fácil. É um trabalho árduo e, por vezes, doloroso. Vem de dentro. É um "click". Dá um click-interno.

Um belo dia algo dá uma sacudida dentro de nós, é uma espécie de remexida...renascimento. Temos que parar. Muitas vezes temos que morrer. Morrer e renascer. Vida vazia e ruim não me basta. Quero v-i-d-a. Viver é jogar, apostar...sem saber se iremos ganhar ou perder. É sonhar. Acordar. Dormir. Mudar. Renascer todos os dias. Morrer. Parar. Continuar. Relembrar. Mas, principalmente, viver é ter coragem.

Decretado pela India às 21:31

15 de Novembro de 2008

Sensações

Ando emotiva, tenho falado em lágrimas. Insisto, perceba, que não são lágrimas ruins. Mas ando emotiva, emotiva, emotiva. Descubro, através de intensas reflexões solitárias, que não ando, corro ou pulo, eu sou. Movida por coisas sem nome, cor ou definição, apesar de gostar de coloridices, de batizar palavras, de viver inventando expressões ou coisa parecida. Mais do que uma fase, a palavra emotiva traz consigo um significado que ultrapassa definições exatas de dicionários, afinal, quer palavra menos exata do que essa?

São três as coisas que mais gosto na vida: cinema, livro e abraço. Eu gosto até de filme ruim, desde que seja filme, não sei se você me entende. Livro ruim eu desisto no meio, mas logo pego outro, não perco a esperança de encontrar bons livros. E eles existem, aos montes. Todo mundo tem um livro preferido e o famoso filme-da-vida. Qual é o da sua? O da minha é cheio de abraços (e que sejam sinceros, por favor!). Estou um pouco cansada da falta de verdade, daquele sorriso-obrigatório-social-aterrorizante-e-burocrático, vamos, você precisa ir e sorrir e fingir que tudo está bem e muito bem e tudo bem, pois você adora aquele lugar, seja ele qual for, seja você quem for eu repito: não faça isso, não entre nesse barco todo remendado que é o social-obrigatório-tenho-que-ir-e-dar-abracinhos-moles, não está nada bem, não. Não!, você tem que abraçar com gosto, aperto, vontade, tem que sentir o corpo do outro, cada mudança de temperatura, cada alteração, alternação, cada pêlo, marca, sinal, mancha, cicatriz, hematoma, corte, arranhão. Sentir o cheiro de perfume, desodorante, cheiro de passado, de sono, de cansaço, de fé, de lembranças, cheiro de cerveja, de amaciante Fofo, cheiro de molho de tomate, de cigarro, de shampoo, de gel no cabelo, cheiro de vida que está renovada, estragada ou revoltada, mas viva. Viva, no sentido amplo e infinito da palavra.

Você pode estar num momento difícil, de transição, de perder-se em si mesmo, de fazer projeções e transferências de maneira inadequada, você pode estar em alfa, zen, em um dia nervoso, patético, calmo, em um dia comum, em um dia cheio de novidades, você pode estar passando por um momento mais difícil do que o da primeira linha, uma fase de achar-se em si mesmo, largar-se na vida, momento egoísta, intimista, altruísta, nazista, todos os istas estão lá, esperando você decidir que momento é este, qual momento será o próximo? Independente de tudo, tempo, situação, ganho, perda ou até mesmo alucinação, não consigo perder a capacidade de ser emotiva. Não, não pense que é sempre bom, não sou a-toda-boa, a toda alegre o tempo todo, a toda amorosa constantemente. Eu sou estranha, tenho gestos e pensamentos e encanações e neuras e filosofias viajantes e temperamento salgado e toda uma série de e's que não consigo ajustar aqui, agora, pra você, talvez por não saber ajustá-los nem pra mim. Mas deixa isso tudo pra lá, eu e a minha estranhice, estranheza, estranhagem, estranhamento, estranhação. Estranha ação. É isso aí, sou cheia de estranhas ações. Uma delas é tentar explicar o sentido de uma coisa que nem sentido faz. Vou tentar de novo. Ando emotiva, é isso que tento dizer pra você.


Decretado pela India às 22:48

14 de Outubro de 2008

Mudanças

Eu mudo bastante, com uma freqüência violenta. Um dia eu quis muitas coisas, outro dia eu não gostava de muitas pessoas e em outra vez eu perdia a paciência mais rápido do que Miojo-fica-pronto-em-três-minutinhos-calma-minha-gente. Então eu percebi que a gente vai mudando, se adaptando, levando, se acostumando, se ajeitando, renegando, rejeitando, se recuperando. Há cinco anos eu adorava boate, lugar cheio de fumaça, música alta e gente saracoteando na minha volta. Hoje eu detesto, prefiro lugares mais calmos, gente mais serena. Há quatro anos pensei ter achado o big love da minha vida e então descobri que a gente não acha amor nenhum: ele nos acha e se apresenta. E de vez em quando (ou de vez em sempre) ele se atrasa, mas chega. Há poucos dias pensei que iria enlouquecer por estar com um pé quase nos trintinha e, vou te contar, estou bem resolvida.

Ainda bem que a gente muda, tem que ter coragem. Mais do que isso: é preciso ter desapego. A mudança é fruto da nossa comunicação com o mais profundo de nós. E, você sabe, nem sempre conseguimos falar com o nosso próprio eu. Às vezes dá ocupado. Ou fora da área de cobertura. O que não podemos é deixar de tentar, uma hora chama. Trim-trim, pode ser pra você.

Decretado pela India às 20:59

29 de Setembro de 2008

Eu te encontro...

Ahhhh, "Aquela" companhia vou encontrar. Sabe quando você encontra aquela companhia que te trás bons momentos e bons pensamentos? Aquela pessoa que te faz pensar em coisas boas, que te trás conhecimentos novos, novos pontos de vista e sensações maravilhosas? Que te fala sobre a vida dela, que vai se abrindo aos poucos, dando espaço para que você faça parte da vida dela. Aquela pessoa que te passa segurança, boa vontade e força de espírito, uma pessoa que já viveu muito, que te deixa com um sorriso de orelha a orelha só de pegar na sua mão? Aquela pessoa que quando toca em você faz você perder seus sentidos? Aquela pessoa que quando você vê, faz o tempo voar, e se não resolve os seus problemas, também não o deixa pensar neles, não naquele momento em que estão juntos. Eu ainda não encontrei.Mas anseio me relacionar com alguém assim tão diferente de mim. Alguém que tenha pontos de vista, gostos e maneiras tão diferente das minhas. Uma pessoa que vive também para outras pessoas, que como pra mim, trás felicidade, dá carinho e segurança a outros. Pode ser pensamento de começo, pensamento de “paixonite”, mas vejo quase a perfeição nessa minha companhia. Relacionar-me com alguém assim, me fará bem, me fará querer crescer também. Vou querer ler mais livros, ler mais jornais, escovar mais os dentes, assistir menos televisão, estudar mais, mascar menos chicletes, me exercitar mais, querer viver mais.

Decretado pela India às 09:51

15 de Setembro de 2008

Amigos.

Pra começar bem a semana é bom receber o incentivo de um amigo. Pra terminar bem a semana é necessário obter o abraço de um amigo. Seja rindo, seja levando: esperamos eles lá, infalíveis. Hoje não é o dia do amigo, mas nunca acreditei em datas, gosto das minhas. Nunca acreditei no que dizem, gosto de pagar pra ver o que acontece. Tenho diversos conhecidos, amigos mesmo tenho alguns. Eles nem precisam de explicações, me entendem seja com minhas palavras, seja com o meu silêncio. Seja com minha presença, seja com meu sumiço. E é justamente pra eles que quero deixar o trecho da Martha Medeiros, que achei lindo.
"Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos. Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta. Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego. Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu. Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado. Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador. Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém." (Martha Medeiros)
Acrescentando: amém, tenho mais de um. Quem é amigo da India mesmo sabe. Obrigada por serem tão especiais e presentes na minha vida. Pra começar e terminar bem a semana, tenho vocês sempre.

Decretado pela India às 10:11

9 de Setembro de 2008

Who I am?

Sou forte. Meio doce e meio ácida. Em alguns dias acho que sou fraca. E boba. Preciso de um lugar onde enfiar a cara pra esconder as lágrimas. Aí penso que não sou tão forte assim e começo a olhar pra mim. Sou forte sim, mas também choro. Sou gente. Sou humana. Sou manhosa. Sou assim. Quero que as coisas aconteçam já, logo, de uma vez. Quero que meus erros não me impeçam de continuar olhando para a frente. E quero continuar errando, pois jamais serei perfeita (ainda bem!). Tampouco quero ser comum e normal. Quero ser simplesmente eu. Quero rir, sorrir e chorar. Sentir friozinho na barriga, nó no peito, tremedeira nas pernas. Sentir que as coisas funcionam e que tenho que trocar de jeito quando insisto em algo que não dá resultado. Quero aprender e, ainda assim, continuar criança. Ficar no sol e sentir o vento gelado no nariz. Quero sentir cheiro de grama cortada e café passado. Cheiro de chuva, de flor, cheiro de vida. Aprecio as coisas simples e quero continuar descomplicando o que parece complicado. Se der pra resolver, vamos lá! Se não dá, deixa pra lá. A vida não é complicada e nem difícil, tudo depende de como a gente encara e se impõe. Quero ser eu, com minha cara azeda e absurdamente açucarada. Não quero saber tudo e nem ser racional. Quero continuar mantendo o meu cérebro no lugar onde ele se encontra: meu coração. E essa é a melhor parte de mim.

Decretado pela India às 23:35

7 de Setembro de 2008

Sabe o que todo mundo quer?

Todo mundo quer alguém. E eu também. Mas eu não quero alguém-comum. Quero alguém diferente. Uma pessoa que goste de viajar. Goste de cachorros. Cinema. Que me traga chocolate quando eu estiver na tpm (e fora dela). Não quero uma pessoa que me canse. Nem me dê muito trabalho, muito pelo contrário. Quero uma pessoa simples. Que seja fácil de se apaixonar. Que se dê bem com os meus amigos. Que goste dos dias ensolarados e das noites de luar. Que não se importe e nem dê muito valor para os meus deslizes e loucuras-diárias. Que tenha pequenos sonhos. Grandes sonhos. Que divida os sonhos. Alguém que não faça uso apenas de palavras e frases-de-efeito. Que tenha atitude. E personalidade. E seja inteligente. Que tenha o olhar sincero e o sorriso verdadeiro. Quero alguém que não seja muito sério. Que seja divertido e saiba rir. Mas rir de verdade. Uma pessoa que não tenha a cara amarrada. Também não pode ser ciumento, mas tem que ter ciúme. Aquele ciuminho besta, mas que não faça cenas. Não quero alguém complicado. E estressado. Quero alguém leve, com um lado colorido e que goste de beijar na chuva. E que me surpreenda. E que não goste de viver na rotina. Uma pessoa que mande flores. E escreva cartas. Ou poesias. Ou palavras soltas num guardanapo de papel de boteco. Que saiba que com o coração não se brinca, mas que brinque com os problemas que acontecem no dia-a-dia. Que goste de champagne. E coca-cola. Que aprecie a culinária e goste de bar com bancos de madeira. Que goste do mar e do barulho que as ondas fazem. Que segure a minha mão nos filmes de suspense. E terror. Que ature a minha mania de querer tudo pra ontem. E as minhas tantas outras manias esquisitas. Que goste de música. Que NÃO goste de pagode. Que goste do John Mayer. E do Arnaldo Jabor. Que não ache idiota as comédias-românticas. Que goste de romance. E de carinho. Mas que não seja grudento. Alguém que seja amoroso, mas que respeite meu espaço. E que não seja espaçoso. Quero alguém que não ache vergonhoso chorar. E se sentir perdido. E que entenda meu sorriso-segurando-o-choro. E que não ache que é coisa de menininha uma mulher chorar. Alguém com coragem. Sem medo da vida. E sem medo de viver. Alguém que viva. E que saiba amar. Alguém que já tenha tido um amor. E que já tenha chorado por ele. Afinal, quero alguém que saiba o que é amar. E que saiba dar valor pra isso.

Decretado pela India às 21:15

A Borboleta


Ela é menina-criança
Ela é mulher-menina
Ela é criança-mulher
Assim meio criança madura
Assim meio mulher infantil
Como borboletas a voar
Batendo as asas e no tilintar
Uma canção e um violão
Enfeitando histórias rabiscadas com giz
Se perde entre conceitos e crenças
E coleciona traços em pensamentos
Ela é pedra e rocha
Nome e Sobrenome
Criança madura que lapida
Todos os dias seu mundo
Com o que há de bom e de ruim
Pois mesmo no que há de ruim
FORÇA, LUZ e ENERGIA
Sendo sempre imagem resiliente e redundante
Refletida no espelho de si por dentro e por fora
É IndianirA[legria]
É sorrir, viver, colorir
Dias e vidas porque não é tão difícil
Quando se tem asas e sonhos pra dar.

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