Neurose de mim mesmo Malvados Subscribe to my feed

Fernando Pessoa Estou ouvindo

Estou ouvindo
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Estamos com fome de amor!

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Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: “Digam o que disserem, o mal do século é a solidão” (já citei essa frase em uma crônica antiga, mas ela sempre volta)! Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas e saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos. Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos “personal dance”, incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvída?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances sexuais dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão “apenas” dormirem abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção.

Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a “sentir”, só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvída do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos ORKUT, o número que comunidades como: “Quero um amor pra vida toda!” “Eu sou pra casar!” até a desesperançada “Nasci pra ser sozinho!” Unindo milhares ou melhor milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa.

Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega. Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, “pague mico”, saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à dois. Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele.
Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida.

Antes idiota que infeliz!

Arnaldo Jabor
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Linha
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Update: Quero deixar aqui meu agradecimento a Jujuô (Te amo moça) que sempre tem me ajudado nos post com as crônicas do Arnaldo Jabor.

Linha
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Uma semana maravilhosa pra ti…

  • Confira ainda:

11 Respostas to “Mal do Século…”

  1. Sammyra Says:

    Adoro esse texto do Arnaldo Jabor! Realmente, o mal do século é a solidão, se bem que esta às vezes, é necessária! Mas só às vezes! rs…
    Boa semana pra ti!

  2. Marie Says:

    é Dj…e o pior que é exatamente assim…
    que pena…
    ah…andar de mãos dadas…adoro !!!
    que pena…
    já nem sei mais o que é isso…
    solidão ! é o mal do século!!! eu concordo…
    mas…não deixo de fazer absolutamente de nada…continuo saindo com minhas amigas…me divertindo…enfim…quem sabe…num dia desses…alguém cruza meu caminho….hehehehe….e finalmente…andarei de mãos dadas !!!
    …solidão boa!!!
    beijinhos no seu coração

  3. Indianira Says:

    Esse eu tbm assino embaixo e por completo!Jabor me deixa extasiada com suas verdades ditas como música pelo menos no meu ouvido é assim…e o vinícius hein? O que eu posso dizer????????? Só posso me perder mesmo!!!!!Saudades de tu moço especial na minha vida!!!!!!!!

  4. Jujuô Says:

    Antes idiota do que infeliz!

    Precisamos começar a optar por isso, eu acho!

    Jabor é sempre sensacional!

    Acertei no e-mail então!

    Legal te tocar ao ponto de colocar o texto aqui… Agora já sei teu gosto…

    Uma dica, caso não tenha lido, leia: SEXO, AMOR e TRAIÇÃO do Jabor… É ótemo!

    Te amo Dj!

    Grande beijo!

  5. Jujuô Says:

    Eba!

    Brigada pela “homenagem”!

    Sempre contigo, senão em corpo, em alma e pensamento!

    Te amo!

    Beijo!

  6. Bill Says:

    Jabor roxxx Mas vinicius bom demais (=

    Belo texto, verdades… e verdades…

    [s]s

    Toca o barco.

  7. Ramiro Junior Says:

    Perfeito.

  8. rmfc Says:

    Eu sou breguuuééérrima!!!

    Rs sou a própria romantica em pessoa, e concordo plenamente com o nosso amigo arnaldo Jabor… cada vez mais estamos mais sozinhos nesse mundo…

    bjo

  9. Lindinha Says:

    Jabor é “o” mestre!!!
    Bem, chegando o final de semana e eu como sempre, passando aqui pra te desejar um de “arrepiar”. Lindo, cheio de coisas boas e quentes (em todos os sentidos).
    Amanhã é feriado aqui em Porto Alegre, por isso acabei postando hoje. Vem dar uma olhada? Te espero.
    Beijo no coração…

    “Decifra-me… ou devoro-te… Arrisque-se se for capaz.”

  10. Rainha dos Condenados Says:

    meu amor eu juro que o rock não morreu
    enquanto eu morro em silencio
    sem encontrar paz

    vomito aqui todo lixo que ouvi
    enquanto tenta me convencer
    que seus surtos tem explicação

    aqui onde o maior de nós não é ninguém
    e eu sou um mendingo sujo
    comendo restos

    eu juro que o rock não morreu
    o rock não morreu,não morreu
    pelo menos enquanto ainda ouver dor
    e bebidas vagabundas no bar

    estremos lá
    fumando nossos ultimos instante de vida
    sem esperar felicidade alguma
    por quê ela não vira

    meu amor saia
    vou vomitar em vc todo lixo
    que vc me vez me fez engolir todo este tempo

    deixe-me só
    por quê o rock não morreu
    o rock não morreu, não morreu
    mais eu sim

  11. Rainha dos Condenados Says:

    Há que cansaço
    Farto me em viver
    Esta vida desprezível e cotidiana
    Eu pobre diabo de boa intenção
    Matar-me? Sim, quem quer matar-me?
    Se não fosse eu assim já tão maçado pela vida me mataria,
    Mais falta me crer no suicídio
    Eu já descrente de tudo
    Parado esperando que me abram a porta
    De frente a uma parede sem porta
    Estou farto? Não , fartou estava a anos atrás quando tentei meu ultimo suicídio
    Estou dopado, dopado dos meus dias infernais
    Eu que já cantei na vida a esperança
    Esta mesma que me matou
    Hoje já no meu tumulo árido e seco
    Vejo que ninguém chora por mim
    Nem dobra os joelhos ao chão
    Para pedir a qualquer deus pela minha alma
    Nem acende velas para iluminar meu caminho
    Humano eu? Sim, desprezível humano
    De fala mórbida com um cigarro na boca
    Em agonio da morte que não vira
    Mata-te enquanto tens esperança para matar-te
    Se esperar que ela te mate
    Serás condenado e me seguiras em agonia de vida
    Na mais completa escuridão
    Contemplo eu a morte em palavras

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