Neurose de mim mesmo Malvados Subscribe to my feed

Fernando Pessoa Estou ouvindo

Estou ouvindo
Todos fomos rejeitados por um amante, traídos por um amigo, passados para trás numa promoção.
Apesar de aprendermos que “perdoar é esquecer” (”o que passou, passou”), a maioria de nós acredita que as pessoas que nos feriram devem pagar pela dor que nos causaram; afinal, elas merecem ser castigadas, mesmo que inconscientemente (”nada como um dia atrás do outro” ou “um dia a pessoa vai ver o que perdeu”).
Não se trata de esquecer a maldade alheia ou minimizar o próprio sofrimento.
Para ser capaz de um perdão verdadeiro e sadio basta entender que ele traz muito mais benefícios do que o rancor.
Na verdade, temos muito o que aprender com essas experiências.
Em primeiro lugar, perdoar não é retaliar, se vingar ou fazer o outro sofrer tanto quanto nos fez sofrer.
Mas, por outro lado, perdoar não é esquecer, deixar para trás quilômetros de mágoa, toneladas de ressentimentos ou ainda fechar os olhos e deixar os “bandidos” se darem bem com as trapaças que cometeram.
Quando perdoamos as pessoas que nos machucaram, não estamos dizendo que o que foi feito contra nós não teve importância (”não foi nada”) ou não deixou marcas profundas (aquelas a ferro e fogo).
Essas perdas foram terríveis e fizeram grande diferença em nossa vida, mas nos ensinaram muitas coisas: tanto a não nos tornarmos De fato, algumas pessoas perdoam, outras não, outras estão tentando. Porém, fingir que perdoamos, ranger os dentes, engolir em seco, não é perdoar. Os terapeutas americanos Sidnei e Suzanne Simon, em seu livro Forgiveness, explicam o que significa perdoar e não perdoar. Começam dizendo que não perdoar tem certas vantagens porque nos dá algumas ilusões.
A primeira, e mais comum, é a ilusão de que, se aquele problema não tivesse acontecido, nossa vida seria perfeita. Só bastaria que as coisas tivessem sido diferentes e não tivéssemos sido machucados naquela época e pela pessoa que nos machucou; agora, estaríamos “numa boa”. Mas, como aquilo aconteceu, temos a explicação ideal, a desculpa perfeita para estarmos e ficarmos na pior (a responsabilidade da nossa infelicidade é sempre do “outro”).
Em segundo lugar, não perdoar nos dá ilusão de sermos perfeitos.
Os maus, os bandidos, são os que nos machucaram, e se nós os perdoarmos nunca mais poderemos dividir o mundo ao meio, todos os mocinhos de um lado e todos os bandidos de outro. Vamos ter de aceitar que as pessoas são “híbridas”, potencialmente boas e más.
Tanto os outros quanto nós mesmos. Não perdoar também nos dá a ilusão de força, de poder (”agora eu controlo”).
Não perdoar ajuda a compensar a sensação de falta de poder que nós sentimos quando fomos machucados.
De fato, se trancarmos na prisão de nossa mente essas pessoas que nos machucaram, vamos nos sentir onipotentes (”agora é minha vez”) pela força do nosso ódio silencioso.
E, por último, não perdoar nos dá a ilusão de que não seremos machucados outra vez.
Mantendo a dor viva, os olhos bem abertos para qualquer perigo em potencial, reduzimos o risco de voltamos a sofrer rejeição, traição ou qualquer outra forma de ferimentovítimas novamente, como não fazermos o mesmo para terceiros.
Mas será que os benefícios de não perdoar valem o preço que pagamos por armazenar essas mágoas, remoer esses sentimentos e nos agarrarmos com unhas e dentes à dor do passado? Será que vale a pena continuarmos alimentando a raiva, revidando com palavras ou com silêncio e assim nunca sentirmos o verdadeiro prazer de viver?
O perdão se torna uma possibilidade quando a dor do passado para de reger nossas vidas; quando não precisarmos mais do ódio e do ressentimento como desculpas para obter menos da vida do que queremos ou merecemos.
Perdoar é chegar à conclusão de que já odiamos bastante e não queremos odiar mais; portanto, perdoar é usar a energia da vida, não para reprimir esses sentimentos, mas para quebrar o ciclo da dor se voltando para o futuro e não machucando outras pessoas como fomos machucados.
Há quem diga que perdoar é escolher entre se vingar e se aproximar, entre ser vítima ou sobrevivente.
Na realidade, perdoar é um processo que vem de dentro.
É uma libertação.
Uma aceitação.
Perdoar é aceitar que a coisas ruins podem e de fato acontecem na vida das pessoas, e que as pessoas mesmo quando amam, se machucam.
Perdoar é um sentimento de bem-estar, é reconhecer que existe algo melhor que queremos fazer com a energia da vida e fazê-lo.
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Dark

6 Respostas to “Todos fomos machucados na vida.”

  1. Bill Says:

    Perdoar até perdoo, mais não esqueço jamais…

    Toca o barco

    [s]s

  2. PiresF Says:

    Olá Dj!

    Perdoar é reconhecer a nossa própria imperfeição, mas tem coisas que custam perdoar.
    Este post é quase uma tese.
    Está muito bom.

  3. D. Says:

    Também eu já fui magoado e magoei outras pessoas. Nalguns casos, perdoei facilmente, noutros nem tanto. O sofrimento prolongou-se no tempo e as feridas custaram a sarar. No entanto, o acto de perdoar liberta-nos das mágoas do passado e acentua a esperança por um futuro diferente e mais próspero.
    Quando magoamos outras pessoas sem intencionalidade e elas nos ignoram e não querem mais saber de nós, não podemos deixar de nos perdoar. A verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima. A vida não é para ser vivida com base nos nossos problemas. Todos somos imperfeitos e erramos…
    O que me magoa verdadeiramente é o orgulho, é o facto de algumas pessoas fecharem-se em si mesmas com o sentimento de poder e controlo e actuarem de forma teatral, ignorando os outros como se nada tivesse acontecido. Mas cada um de nós é diferente e todos temos perspectivas díspares do mundo, da vida, dos problemas, das pessoas, etc.
    Acima de tudo, sejamos correctos!

  4. Daniele Says:

    O texto me ajudou mto…. o perdão é a chave para uma vida feliz, perto daqueles que amamos, embora possam ter nos magoado um dia…
    Valeu pela mensagem!!
    Abraços

  5. Karina Says:

    Olá, meu marido já me magoou diversas vezes, mentiu muito pra mim, sempre digo que não perdoo e nem esqueço, mas ainda estou com ele.
    É muito difícil, pois não consigo esquecer, e não sei como perdoá-lo, pois na minha cabeça, vai haver sempre outra vez.
    Me ajudem a esquecer as magoas do passado.
    Obrigada, fiquem com Deus!

  6. Viviane Says:

    Djalma, eu estou aguardando o seu perdão…
    Se não acontecer, ainda assim, desejo que o seu coração sinta todo o encanto que este passeio por aqui possa proporcionar.
    Que vc tenha sempre alguém para amar, pq quando estamos envolvidos, até a pessoa mais fria de coração percebe que estamos brilhando.
    Vc me faz brilhar!,

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