(Continuação e fim)

O dia me rouba a sanidade
A noite me traz a claridade
Suave como a ceda
Tempestuosa como a mulher

—

O cheiro de terra molhada
Suaviza e acalma os ânimos exaltados
Exorciza velhos demônios
Que nem se movem
Pelo peso dos anos
Que agora cobra seu preço

—

O rio da vida corre no sentido contrário
Todos nós sabemos disso
Mas ninguém sabe que sabe

—

Então ocorre a visão
Tudo se refaz
Treva e desespero
Esperança e iluminação
Semente lançada ao mar
Que brota como milagre

—

Nunca na vida me senti só
Pois sempre soube que me esperava
Agora não tenho certeza
Nem mesmo tendo certeza
Que nunca mais serei eu mesmo

—

Meus pés descalços na terra
Sentem a vida passar
Meus pés enraizados na terra
Sentem o ar me chamar
Então serei novamente Ninguém
Em meio ao Caos

—

Foi numa tarde de chuva que eu me despedi
E caiu como se fosse rocha
Cravando fundo em minha carne
Desespero de um dia de calor
Na noite fria da solidão

—

Me desfaço como um dia qualquer
Fazendo com que minha vida tivesse sido em vão
Como pétalas de rosas pisoteadas
Que Ninguém mais irá apreciar…