26 de fevereiro de 2009

Um pouco do meu quarto...

Se o meu quarto falasse ele poderia te dizer o que eu penso. É lá que passo a maior parte do tempo. Penso, escrevo, danço, canto, me arrumo, choro, me desarrumo, dou risada, sorrisos, durmo e soluço. É uma extensãominha. Muitos cadernos, livros, pastas e blocos cheios. Inúmeras folhas vazias. Revistas, fotos, cd´s. Objetos importantes, televisão, som. Um monte de cacarecos que junto. Acumulo coisas, fico com pena de jogar fora. Cada coisinha tem um significado. Gosto de coisas com significados. Mesmo que nada tenha sentido, invento um. Crio métodos, frases e sonhos.

Metade das coisas que estão lá eu nem uso e, pra ser bem honesta, não têm a menor serventia. Mas todas possuem valor emocional. Minha vida possui trilha sonora, cinematográfica e literária. Me encontro em livros, músicas, filmes. Me invento em cada coisa que vejo. O prudente e o correto seria fazer um "5S" no meu canto e aprender de forma indolor a praticar o desapego. A vida se torna mais fácil quando valorizamos efetivamente o que importa. Mas e o que importa?

A razão diz que o importante é isso e o coração diz que é aquilo. Aí a gente joga uma moeda pra cima, cara é razão, coroa coração. Pronto. É assim? Minha vida não é jogo, não é sorte, não é simples. Eu me apego, guardo, empilho. Da mesma forma que junto cartas antigas, bilhetes, fotos, recordações eu carrego as pessoas comigo. Quem eu amei não sai de mim. Não me desfaço dos outros como quem decide jogar tudo fora e fazer nova decoração. Sou retrô. Gosto de livro com cheiro a guardado, gosto de foto amarelada pelo tempo, gosto de amigo que conhece o meu olhar, gosto de sentir minhas almofadas da cama me abraçando.

Não sei definir o que serve e o que não serve, pois pra mim tudo é útil. Até mesmo o que já passou da validade. Sentimentos são meus, mesmo que estejam inutilizados. Ninguém vai me tirar, não deixo. Não sou desapegada. Tenho dificuldade em tomar atitudes racionais.

Se o meu travesseiro falasse ele te diria que sempre que a minha cabeça ali encosta é você que invade a minha mente.

Decretado pela India às 19:36

A Borboleta


Ela é menina-criança
Ela é mulher-menina
Ela é criança-mulher
Assim meio criança madura
Assim meio mulher infantil
Como borboletas a voar
Batendo as asas e no tilintar
Uma canção e um violão
Enfeitando histórias rabiscadas com giz
Se perde entre conceitos e crenças
E coleciona traços em pensamentos
Ela é pedra e rocha
Nome e Sobrenome
Criança madura que lapida
Todos os dias seu mundo
Com o que há de bom e de ruim
Pois mesmo no que há de ruim
FORÇA, LUZ e ENERGIA
Sendo sempre imagem resiliente e redundante
Refletida no espelho de si por dentro e por fora
É IndianirA[legria]
É sorrir, viver, colorir
Dias e vidas porque não é tão difícil
Quando se tem asas e sonhos pra dar.

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