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29 de novembro de 2008 Tudo o que quero é... Tudo o que eu quero me livrar é de uma vida contida. Não quero olhar para minha Historia e vê-la como uma bagagem, tudo bem guardadinho e amontoadinho e amarrotadinho e muito pesada de se carregar. Quero vê-la como um caminho no qual chorei, sofri, ri... E tive como resultado a maturidade, serenidade e o amor. Não quero ser uma escrava do trabalho, definitivamente não nasci para isso, ele engana as minhas pulsões das oito da manhã as seis da tarde. E quando me sobra um tempo para pensar, deparo-me com o que está dentro e fora de mim, um eu vazio e perdido. Não quero chegar aos meus cinqüenta anos, (se eu chegar) e ver o que eu não fiz, o que deixei de construir e viver. Mas quero em plenitude saber que valorizei o que realmente importa na vida, aquilo que sem sombra de duvidas nos dá sentindo a vida. Deus, a família, os amigos, o amor... Tudo que eu quero é que apesar de tudo que as nossas vãs ideologias pregam, eu tenha força de prosseguir crendo que o amor traz vida, verdade e liberdade. Mas não falo de qualquer amor, ou do que se anda pregando sobre o amor por ai. Amor é igual a Deus e Deus é igual a amor. Amor inundado de paz, majestoso, bonito, puro... Tudo que eu quero é ter você sempre do meu ladinho. Ter você com todas as suas reticências e mesmo assim amá-lo apesar de você ainda nem habitar minha vida. Tudo que eu quero é saber que existe ainda um sonho para sonhar e que não devo fazer da satisfação um caminho para a verdade, pois certamente me frustrarei. E sim tudo que eu quero é encontrar e viver a verdade, pois no final há a satisfação. Palavra viva da menina que ama e tudo o que ela quer é o milagre... 18 de novembro de 2008 Vida vazia Muitas vezes achamos a vida vazia e ruim por demais. Amyr Klink disse "um dia é preciso parar de sonhar, tirar os planos da gaveta e, de algum modo, começar." Mas como começar? Começar não é tão simples. Precisamos mudar para começar. E a mudança sempre implica uma perda. Temos que abdicar de algo para mudar, para fazer um novo começo. Começos exigem preparação psicológica. Começos e mudanças assustam. Não basta ter um plano, foco, projeto, sonho. Tem que ter vontade também. E força de vontade. Energia. Força interior e coragem. Acho que a palavra-chave é coragem. Arregaçar as mangas e dizer pra si mesmo "vou encarar". Não basta querer. Dizem que querer é poder. Não concordo. Vontade não é tudo, é importante, fundamental, uns 30%. Mas não basta. É somente um passo. O resto é coragem. Quando a vida está vazia e ruim por demais, vemos os defeitos, os contras e os erros. Enxergamos com clareza o que está fora do padrão. Fora de esquadro. E pra dar a volta por cima? Mudar? Modificar? Transcender? Não é fácil. É um trabalho árduo e, por vezes, doloroso. Vem de dentro. É um "click". Dá um click-interno. Um belo dia algo dá uma sacudida dentro de nós, é uma espécie de remexida...renascimento. Temos que parar. Muitas vezes temos que morrer. Morrer e renascer. Vida vazia e ruim não me basta. Quero v-i-d-a. Viver é jogar, apostar...sem saber se iremos ganhar ou perder. É sonhar. Acordar. Dormir. Mudar. Renascer todos os dias. Morrer. Parar. Continuar. Relembrar. Mas, principalmente, viver é ter coragem. 15 de novembro de 2008 Sensações Ando emotiva, tenho falado em lágrimas. Insisto, perceba, que não são lágrimas ruins. Mas ando emotiva, emotiva, emotiva. Descubro, através de intensas reflexões solitárias, que não ando, corro ou pulo, eu sou. Movida por coisas sem nome, cor ou definição, apesar de gostar de coloridices, de batizar palavras, de viver inventando expressões ou coisa parecida. Mais do que uma fase, a palavra emotiva traz consigo um significado que ultrapassa definições exatas de dicionários, afinal, quer palavra menos exata do que essa? São três as coisas que mais gosto na vida: cinema, livro e abraço. Eu gosto até de filme ruim, desde que seja filme, não sei se você me entende. Livro ruim eu desisto no meio, mas logo pego outro, não perco a esperança de encontrar bons livros. E eles existem, aos montes. Todo mundo tem um livro preferido e o famoso filme-da-vida. Qual é o da sua? O da minha é cheio de abraços (e que sejam sinceros, por favor!). Estou um pouco cansada da falta de verdade, daquele sorriso-obrigatório-social-aterrorizante-e-burocrático, vamos, você precisa ir e sorrir e fingir que tudo está bem e muito bem e tudo bem, pois você adora aquele lugar, seja ele qual for, seja você quem for eu repito: não faça isso, não entre nesse barco todo remendado que é o social-obrigatório-tenho-que-ir-e-dar-abracinhos-moles, não está nada bem, não. Não!, você tem que abraçar com gosto, aperto, vontade, tem que sentir o corpo do outro, cada mudança de temperatura, cada alteração, alternação, cada pêlo, marca, sinal, mancha, cicatriz, hematoma, corte, arranhão. Sentir o cheiro de perfume, desodorante, cheiro de passado, de sono, de cansaço, de fé, de lembranças, cheiro de cerveja, de amaciante Fofo, cheiro de molho de tomate, de cigarro, de shampoo, de gel no cabelo, cheiro de vida que está renovada, estragada ou revoltada, mas viva. Viva, no sentido amplo e infinito da palavra. Você pode estar num momento difícil, de transição, de perder-se em si mesmo, de fazer projeções e transferências de maneira inadequada, você pode estar em alfa, zen, em um dia nervoso, patético, calmo, em um dia comum, em um dia cheio de novidades, você pode estar passando por um momento mais difícil do que o da primeira linha, uma fase de achar-se em si mesmo, largar-se na vida, momento egoísta, intimista, altruísta, nazista, todos os istas estão lá, esperando você decidir que momento é este, qual momento será o próximo? Independente de tudo, tempo, situação, ganho, perda ou até mesmo alucinação, não consigo perder a capacidade de ser emotiva. Não, não pense que é sempre bom, não sou a-toda-boa, a toda alegre o tempo todo, a toda amorosa constantemente. Eu sou estranha, tenho gestos e pensamentos e encanações e neuras e filosofias viajantes e temperamento salgado e toda uma série de e's que não consigo ajustar aqui, agora, pra você, talvez por não saber ajustá-los nem pra mim. Mas deixa isso tudo pra lá, eu e a minha estranhice, estranheza, estranhagem, estranhamento, estranhação. Estranha ação. É isso aí, sou cheia de estranhas ações. Uma delas é tentar explicar o sentido de uma coisa que nem sentido faz. Vou tentar de novo. Ando emotiva, é isso que tento dizer pra você. |
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A Borboleta
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