A um livro

No silêncio de cinzas do meu Ser
Agita-se uma sombra de cipreste,
É uma sombra triste que ando a ler,
No livro cheio de mágoa que me deste!

Estranho livro aquele igual a mim!
Cheira a mortos a rir e a cantar…
É dum branco sinistro de jasmim.
Que só me dá vontade de chorar!

Parece que folheio toda a minh´alma!
O livro que me deste, em mim salma
As orações que choro e rio e canto!

Poeta igual a mim, ai quem me dera
Dizer que tu dizes! Quem soubera
Velar a minha Dor desse teu manto!

Florbela Espanca - Trocando olhares

* Como o mesmo título, este soneto alcança sua versão definitiva no Livro de Mágoas.

6 Comentários »

  1. Noemi Said:

    on at 1:43 pm

    :mrgreen:magnifico0o0o0oo0:mrgreen´perfeitoo0o0o0o0o0:mrgreen:lindo0o0o0o0o:mrgreen:magetosoo0o0o0o0o:mrgreen:shausahuhsuahuahssh

  2. cássia Freitas Said:

    on at 4:35 pm

    Como? como se pode ler ao tão perfeito e não ficar emocionada, viajar, viajar, vislumbrar o mundo otico de Florbela, como?

  3. lUCIANO Said:

    on at 2:11 pm

    Lindo o seu blog!
    PARABÉNS!!!

  4. Cristiano Oliveira Said:

    on at 6:26 pm

    Maravilhoso este Blog, conheço pouco sobre a Florbela mas posso me afirmar como fã dela, pois ela é perfeita!

  5. hildebrando bartolomeu de lira Said:

    on at 12:47 am

    Lembrar, Florbela. Ainda me doi, e algumas lágrimas, ainda teimam!

  6. Dejorge Said:

    on at 3:10 pm

    A poesia explode em suas linhas!!
    Ave Poetisa!!

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