Quem Sabe?!…

Eu sigo-te e tu foges. É este o meu destino:
Beber o fel amargo em luminosa taça,
Chorar amargamente um beijo teu, divino,
E rir olhando o vulto altivo da desgraça!

Tu foges-me, e eu sigo o teu olhar bendito;
Por mais que fujas sempre, um sonho há de alcançar-te
Se um sonho pode andar por todo o infinito,
De que serve fugir se um sonho há de encontrar-te?!

Demais, nem eu talvez, perceba se o amor
É este perseguir de raiva, de furor,
Com que eu te sigo assim como os rafeiros leais.

Ou se é então a fuga eterna, misteriosa,
Com que me foges sempre, ó noite tenebrosa!
……………………………………..
Por me fugires, sim, talvez me queiras mais!

Florbela Espanca - Trocando olhares - 08/07/1916

5 Comentários »

  1. Ana Raquel Said:

    on at 11:02 am

    A verdade é que ninguém sabe…..
    Penso que Florbela Espanca é o melhor exemplo de que toda a nossa vida procuramos o Amor, mas que nem sempre o encontramos:cry:

    Na procura incessante do Amor, damos lugar a uma enorme tristeza interior, desalento e solidão, que nos aprisiona, e gera um sentimento de desespero.

    Florbela toda a vida procurou o Amor que lhe mentiu, pediu mais à vida do que ela dava, e por fim morreu com uma mágoa cravada no seu coração, sem no entanto conhecer realmente o significado do Amor…..

  2. sandra santos Said:

    on at 10:00 pm

    adoro ,,, nunca um poema se identificou tanto cmg…

    tou louca d desejo, nao consigo acabar,
    anseio-te…
    nao devo… mas eu deus cm és perfeito…
    o desprexo magoa… pensa o anto magoas…
    a nossa amizade cres ceu mutio k anseio tnho…
    peciso sentir-te…
    nao m negues esta nuite!!!

    v para f

  3. mana Said:

    on at 11:10 pm

    É com estas palavras de Florbela que
    consigo traduzir o que sinto:

    “É este o meu destino:
    Beber o fel amargo em luminosa taça,
    Chorar amargamente um beijo teu…
    Tu foges-me, e eu sigo o teu olhar bendito;
    Por mais que fujas sempre, um sonho há de alcançar-te”

    Te amo

  4. Soraia Colaço Said:

    on at 7:36 pm

    ABISMO Fui passando aos poucos e amiúde, eu teorizando a lógica do amor, ele praticando sua concretude. E nós dois distantes, em ritmos diversos, ele ditando a vida, eu fazendo versos.
    Esse é um pequeno poema que construi no mesmo tempo que conheci Florbela. Seus versos me inspiram.

  5. Gicelha Brito Gonçalves Said:

    on at 12:33 pm

    Quanta paixão nestes versos…. Como é doce e perigoso o amor!

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