Aonde?…

Ando a chamar por ti, demente, alucinada,
Aonde estás, amor? Aonde… aonde… aonde?…
O eco ao pé de mim segreda… desgraçada…
E só a voz do eco, irônica, responde!

Estendo os braços meus! Chamo por ti ainda!
O vento, aos meus ouvidos, soluça a murmurar;
Parece a tua voz, a tua voz tão linda
Cantando como um rio banhado de luar!

Eu grito a minha dor, a minha dor intensa!
Esta saudade enorme, esta saudade imensa!
E Só a voz do eco à minha voz responde…

Em gritos, a chorar, soluço o nome teu
E grito ao mar, à terra, ao puro azul do céu:
Aonde estás, amor? Aonde… aonde… aonde?…

Florbela Espanca - Trocando olhares - 08/07/1916

4 Comentários »

  1. Igor Said:

    on at 8:45 am

    Esta é a sina de Florbela: a necessidade, a vontade de amar e ser amada; a procura e o sofrimento crônico.
    “Ânsia de procurar sem encontrar”
    Como ela pode ser tão querida se só versa amarguras?

  2. ELIZABETH Said:

    on at 6:34 pm

    Creio que descrito um sentimento de forma muito viva,não é facil para alguém por uma idéia assim ,ninguém descreveu uma saudade de forma tão clara.

  3. Isabella Said:

    on at 5:50 pm

    Como pode uma pessoa expressar exatamente o que eu estou sentindo chega a arrepiar de tanta verossimilhança com minha vida!
    Viva Florbela !

  4. deuza Said:

    on at 3:23 pm

    um grito,um lamento,que corroi por dentro a espera de um amor!!!lindo!!

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