Balada

Amei-te muito, e eu creio que me quiseste
Também por um instante nesse dia
Em que tão docemente me disseste
Que amavas ‘ma mulher que o não sabia.

Amei-te muito, muito!Tão risonho
Aquele dia foi, aquela tarde!…
E morreu como morre todo o sonho
Deixando atrás de si só a saudade! …

E na taça do amor, a ambrosia
Da quimera bebi aquele dia
A tragos bons, profundos, a cantar…

O meu sonho morreu… Que desgraçada!
………………………………
E como o rei de Thule da balada
Deitei também a minha taça ao mar …

Florbela Espanca - Trocando olhares - 08/08/1916

4 Comentários »

  1. thais Said:

    on at 9:13 pm

    não canhecio os poemas de florbela
    mas apoucos dias li um poema e gostei muito:wink::grin:

  2. RORO Said:

    on at 8:53 pm

    :razz:OIIIIII……ESTES VERSOS E DI MAIS EU PEQUEI UM MONTE DE VERSOS AQUI EU AMO ESTA SITE

  3. Rafaela Lopes da Silva Said:

    on at 12:42 am

    Triste e perfeito! “amei-te muito, e eu creio que me quiseste[...]”

    O apuro na escolha das palavras que se percebe na sutileza e leveza dos versos apenas reflete a verdade de sentimentos de Florbela.

    Qual a diferença entre amar e querer? Só quem já amou e perdeu esse amor pode entender o que significa…

  4. Jonas Melo Said:

    on at 12:50 am

    Os versos da flor são simplesmente encantadores, eles conseguem expressar a mais pura magia que divaga nos sentimentos dos eternos amantes da arte do poetizar…

    Parabéns

{ RSS feed for comments on this post}

Deixe um comentário

XHTML: Line-breaks are automatic. Available tags are <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>