Triste Destino!

Quando às vezes o mar soluça tristemente
A praia abre-lhe os braços e deixa-o a gemer;
Embala-o com amor, de leve, docemente,
E canta-lhe cantigas pra adormecer!

Quando o Outono leva a folha rendilhada,
O vestido real da branda Primavera,
O rio abre-lhe os braços e leva amortalhada
A pequenina folha, essa ideal quimera!

O sol, agonizante e quase moribundo,
Estende os braços nus, alegre, para o mundo
Que o faz amortalhar em púrpura de lenda!

O sol, a folha, o mar tudo é feliz! Mas eu
Busco a mortalha minha até no alto céu!
E nem a cruz pra mim tem braços que m´estenda!

Florbela Espanca - Trocando olhares - 08/07/1916

7 Comentários »

  1. Rebeca Said:

    on at 9:20 pm

    Amei esse poema, muito lindo :mrgreen:
    Quem me dera escrever poemas com toda essa ternura, com todo esse amor. :sad:

    Muito lindo,:grin: de verdade

  2. Marcelio Barros Said:

    on at 12:43 pm

    Flor bela uma das maiores poetiza do seculo XXI
    De uma leveza supreendete que marca quem os lé os seus poemas e versos,

  3. Nayara Said:

    on at 1:44 pm

    Florbela uma das maiores poetizas do século XXI?????
    HAHAHAHAHAHAHA
    parabéns, Marcelio.

  4. Ro Goncalves Said:

    on at 8:04 am

    Leio Florbela sempre, e sempre tenho mais vontade de ler… às poesias tocam fundo na minha alma e me confortam. Bjs

  5. Liê Said:

    on at 12:20 pm

    Sou Poetisa, e sempre me inspirei em Florbela, belissima, Poetisa,
    sempre a frente do seu tempo…
    Lindo blog…
    Abraço
    Liê

  6. Gabriella Lopes Said:

    on at 8:04 pm

    amei a poesia amo ell d++++

    ^^

  7. katherine jansen Said:

    on at 9:01 pm

    Perfeito!!

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