Nunca mais!
Ó castos sonhos meus! Ó mágicas visões!
Quimeras cor de sol de fúlgidos lampejos!
Dolentes devaneios! Cetíneas ilusões!
Bocas que foram minhas florescendo beijos!
Vinde beijar-me a fronte ao menos um instante,
Que eu sinta esse calor, esse perfume terno;
Vivo a chorar a porta aonde outrora o Dante
Deixou toda a esp’rança ao penetrar o inferno!
Vinde sorrir-me ainda!Hei-de morrer contente
Cantando uma canção alegre, doidamente,
A luz desse sorriso, ó fugitivos ais!
Vinde beijar-me a boca ungir-me de saudade
Ó sonhos cor de sol da minha mocidade!
Cala-te lá destino!…
“Ó Nunca, nunca mais!…”
Florbela Espanca - Trocando olhares - 08/07/1916





Leandro Luz Said:
on at 3:59 pm
Sempre me emociono muito a ler Florbela Espanca. Essa mulher que com esse nome que já é poético, não fez nada ruim, nada que não nos toque a alma. Sabia de sentimentos, angústias e dores como ninguém e sabia poetizá-los também, como ninguém.
Jane Said:
on at 9:28 pm
Florbela me traduz. Sua obra é eterna, nela me encontro, nela me perco, nela há sentido para tudo.
Única forma de vida e poesia, fala-se tanto e sente-se muito mais ao ler.
Maju Said:
on at 12:10 am
ELA ERA MARAVILHOSA ! ETERNIZADA …
FLORBELA , VOCÊ ERA DEMAIS , SEMPRE CHORO .
caraca , é dificil achar alguém tão perfeita ! você era demais …