Visões da Febre

Doente. Sinto-me com febre e com delírio
Enche-se o quarto de fantasmas
Uma visão desenha-se ante mim
Debruça-se de leve…

É uma mulher de sonho e suavidade
E disse-me baixinho:
“Eu me chamo Saudade,
E venho para levar-te o coração doente!

Não sofrerás mais; serás fria como o gelo;
Neste mundo de infâmia o que é que importa sê-lo
Nunca tu chorarás por tudo mais que vejas!”

E abriu-me o meu seio; tirou-me o coração
Despedaçado já sem uma palpitação,
Beijou-me e disse “Adeus!” E eu: “Bendita sejas!…”

Florbela Espanca - Trocando olhares

5 Comentários »

  1. Mary Said:

    on at 8:55 pm

    adorei conhecer essa poetisa. esse poema é lindo. sou brasileira e admiro a cultura portuguesa, fiquei fã das coisas daí. ainda mais depois de conhecer os poemas dessa mulher.

  2. Jandra Said:

    on at 5:58 pm

    Perfeit.a.
    Florbela encanta. disperta o lado poético de qualquer pessoa.
    É fantástico e belíssimo suas poesias, até eu que não me “ligava” muito à poemas, agora estou definitivamente encantada.

  3. grace Said:

    on at 12:01 am

    Realmente é como eu também sinto a SAUDADE !! Incrível

    Maravilhoso !
    Obrigado Florbela por existir e verbalizar o q nós , reles mortais , não conseguimos.

  4. Luis Antonio Vergara Rojas Said:

    on at 11:20 am

    Senhores

    Gosto muito de Florbela Espanca, e consequentemente de quem divulga sua maravilhosa poesía.
    Não obstante, conforme o livro Poemas da Editora Martins Fontes, p. 81, o Soneto “Visões da Febre” está incorreto ou incompleto.
    Encaminho o texto do referido livro, favor verificar…

    Visões da Febre

    Doente. Sinto-me com febre e com delírio
    Enche-se o quarto de fantasmas. ‘Ma visão desenha-se ante mim tão branca como um lírio
    Debruça-se de leve… Estranha aparição!

    É uma mulher de sonho e suavidade
    Como a doce magnólia florindo ao sol poente
    E disse-me baixinho: “Eu chamo-me Saudade,
    E venho para levar-te o coração doente!

    Não sofrerás mais; serás fria como o gelo;
    Neste mundo de infâmia o que é que importa sê-lo
    Nunca tu chorarás por tudo mais que vejas!”

    E abriu-me o meu seio; tirou-me o coração
    Despedaçado já sem ‘ma palpitação,
    Beijou-me e disse “adeus!” E eu: “bendita sejas!”

    ****
    Obrigado pela atenção.

    Luis Antonio Vergara Rojas
    chuncho@uol.com.br

  5. Henrique Said:

    on at 6:20 pm

    Nossa, abri o blog e me deparei com este primeiro poema.
    Estou surpreso como este poema me define completamente.
    É uma pena que alguns seres humanos são vulneráveis a esta frieza sem preceitos (ou não). Sinto muito por ser um deles.

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