Árvores do Alentejo

Horas mortas… Curvada aos pés do monte
A planície é um brasido… e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A ouro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota d´água!

Florbela Espanca - A mensageira das violetas

3 Comentários »

  1. Liza Said:

    on at 7:59 pm

    Re:Árvores do Alentejo

    Só tenho a dizer de alma aberta
    que é um soneto maravilhoso
    vou indo neste alerta
    pois a Vida brindanos com um sol gostozo…

    :oops: terra moirisca
    De:LiZa

  2. Liza Said:

    on at 8:06 pm

    Re:Árvores do Alentejo

    Só tenho a dizer de alma aberta
    que é um soneto maravilhoso
    vou indo neste alerta
    pois a Vida brinda-nos com um sol gostozo…

    terra moirisca
    De:LiZa

  3. Liih Chan Said:

    on at 5:51 pm

    Sobre esse lindo poema so ha uma coisa a dizer…
    Realmente belo,tocante feito para pairar nos coraçoes…
    Vejo nele o reflexo de um coraçao apaixonado,enamorado…
    Os poemas dela me lembram ate alguns dos meus,mais nao chegam perto da beleza dos dela,queria eu ser genial como Florbela…

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