Rústica
Eu q’ria ser camponesa;
Ir esperar-te à tardinha
Quando é doce a Natureza
No silêncio da devesa,
E só voltar à noitinha…
Levar o cântaro à fonte
Deixá-lo devagarinho,
E correndo pela ponte
Que fica detrás do monte
Ir encontrar-te sozinho…
E depois quando o luar
Andasse pelas estradas,
D’olhos cheios do teu olhar
Eu voltaria a sonhar,
P’los caminhos de mãos dadas.
E depois se toda a gente
Perguntasse: “Que encarnada,
Rapariga! Estás doente?”
Eu diria: “É do poente,
Que assim me fez encarnada!”
E fitando ao longe a ponte,
Com meu olhar cheio do teu,
Diria a sorrir pro monte:
“O cant’ro ficou na fonte
Mas os beijos trouxe-os eu…





Neuma Said:
on at 9:50 am
Tais versos só poderiam vir de tal escritora, com tamanha sensibilidade!
Rosiele Fendrich Said:
on at 4:11 pm
Florbela consegue unir palavras tão belas, com tanto sentimento… que se tornam palpáveis.
Beijos
Drika Said:
on at 9:40 am
Sempre Florbela….mágico…bjs
Selen Veane Said:
on at 2:42 pm
Ah… Que belas palavras…
Essa mulher é tudo, suas palavras… Imortais.