Velhinha

Se os que me viram já cheia de graça
Olharem bem de frente para mim,
Talvez, cheios de dor, digam assim:
“Já ela é velha! Como o tempo passa”!…”

Não sei rir e cantar por mais que faça!
Ó minhas mãos talhadas em marfim,
Deixem esse fio de oiro que esvoaça!
Deixem correr a vida até ao fim!

Tenho vinte e três anos! Sou velhinha!
Tenho cabelos brancos e sou crente…
Já murmuro orações… falo sozinha…

E o bando cor-de-rosa dos carinhos
Que tu me fazes, olho-os indulgente,
Como se fosse um bando de netinhos…

Florbela Espanca - Livro de Mágoas

6 Comentários »

  1. Dj Said:

    on at 8:34 am

    Uia, Velhinha nada!!!!!

    Imagine só! Esse Livro de Mágoas deve ser muito bom!!!!

    Até o proximo post!!!!

    Abração

  2. Carlos Said:

    on at 8:54 am

    Comentar as poesias de Florbela é quase sempre ter que dizer “Meu Deus, como ela conseguia ser tão incrível com as palavras?” Indepentemente da resposta, aproveitamos para admirar as pérolas dela. Abraço.

  3. PiresF Said:

    on at 2:38 pm

    Mais um poema lindíssimo.
    Garanto que não vou perder nenhum. Mesmo que por vezes não comente, a minha visita a esta casa é diária.
    Um grande abraço, amigos.

  4. Nina Said:

    on at 4:06 pm

    Lindo, mas meio triste…. :wink:

  5. Andreia Said:

    on at 5:23 pm

    As palavras saiam-lhe com muita natureza e beleza!e simplesmente lindo ler estes poemas, a mim da-m calma,sossego!

  6. Márcia(clarinha) Said:

    on at 9:13 pm

    apenas me delicio pois comentar não tem o que…
    linda noite meus queridos Bill e Nina menina!
    beijossssssssssssssssss

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