Soneto
Seguindo fielmente o modelo italiano, o soneto foi introduzido em Portugal por Sá de Miranda, embora se tenha tornado célebre pela pena de Camões e, mais tarde, em finais do século XVIII, pela de Bocage. Em 1860, Antero de Quental reafirma a importância do soneto, divulgando-o entre a Geração de 70. Já os parnasianos modernizam o soneto, através da «chave-de-ouro», sendo este recriado no final do século XIX, no período decadentista, por poetas como Camilo Pessanha, António Nobre ou Florbela Espanca. Passado o modernismo, também os escritores contemporâneos, como Fernando Pessoa, José Régio, Jorge de Sena e David Mourão-Ferreira, se renderam à forma do soneto, generalizado-a a várias correntes literárias, por vezes, com transgressões ou alterações, mas sempre como uma obra especial. Uma obra especial A razão de chamar ao soneto «uma obra especial» deve-se ao facto de que, nele, o poeta consegue uma admirável variedade (Álvaro Manuel Machado, «Dicionário de Literatura Portuguesa»). Além disso, dada a sua estrutura fixa, o soneto exige, frequentemente, um exercício de engenho por parte do escritor, dando, por vezes, origem a outras formas literárias tradicionais, como o vilancete. Por outro lado, a estrutura do soneto permite escrever num modelo de tese e antítese, seguidas de uma conclusão, expressa no último terceto ou no último verso desse terceto, a chamada «chave-de-ouro». Mais a mais, o soneto obriga a uma determinada concentração emocional, dada a sua forma breve, o que justifica a sua escolha por poetas como Nobre ou Florbela Espanca. Para Agustina Bessa Luís, a força emotiva do soneto está na suspensão que prolonga o sentimento (…) a composição perfeita do sentimento (Agustina Bessa Luís, «A Vida e a Obra de Florbela Espanca»).




