Verdade.

Tenho pensado demais na verdade. A verdade da alma, do sentimento, do momento, da felicidade. A verdade sobre coisas simples que fazem a diferença no momento em que se escolhe viver de verdade ou se deixar levar pelo que chamo de medo. Medo da verdade que está diante dos olhos e ao alcance da mão. Medo de não ser verdade o que queria que não fosse sonho. E, enquanto dorme, não consegue perceber o tempo e os segundos que passam, deixando passar também a verdade e a mentira. Não sendo nada além de tempo perdido, vida perdida, amores perdidos. E a verdade, no fim de tudo, estará perdida em alguma esquina das curvas que se fez de olhos fechados, sem ver a beleza das flores na primavera e o quanto o outono pode ser maravilhoso em seus tons de laranja. Perdida embaixo de alguma folha ou monte de neve. Perdida. Só não mais perdida do que aquele que não conseguiu encontra-la, vive-la e senti-la.

Saudações!

Decretado pela Rainha de Copas às 03:13


Fragmentos.

Eu queria que as palavras que eu disse não virassem fumaça e que todos os dias que estão por vir fossem ainda melhores do que os dias que já passaram. Queria que todos os sorrisos fossem diários e que o futuro fosse um filme de um livro que a gente escreve do jeito que a gente quer. E todos fossem felizes. O mocinho sempre vencesse o bandido e o casalzinho fosse feliz para sempre. Que aquele soco no rosto não doesse e a angustia no peito passasse depois de um copo de açúcar e uma boa noite de sono. Queria que não existisse céu cinza, nem mau tempo, vontade de ficar trancado no quarto, nem “depois, agora eu preciso ficar sozinha”. Que eu tivesse as palavras certas e os sentimentos mais puros, os gestos mais delicados. Queria não ser a mera junção de fragmentos de coisas que já me ocorreram e de pessoas que por mim passaram. Não queria ser justaposição de coisas soltas do que passou. Quero ser mais presente e futuro do que passado. Mas não há como negar. Eu tenho mais dos que viveram minha vida comigo, que de mim mesma. Tenho mais do que você é do que do que eu pensei que fosse.

Saudações!

Decretado pela Rainha de Copas às 10:51


Eu sei.

Eu sei falar de aperto no peito. Sei falar sobre ansiedade, vontade e aquele desejo quase incontrolável de fazer com que os ponteiros do relógio passem mais rápido. Sei falar dos olhos marejados e de boca seca. Sei falar sobre mãos suando e olhos que ardem procurando no horizonte o que não se sabe se virá, mas há espera. Sei falar de sentimento bom e angústia ruim. Sei falar sobre voz baixa, dedos nervosos, dor na barriga, taquicardia, silêncio, ir e vir, segundos lentos, minutos rápidos, querer, não poder, ansiar, esperar. Sei falar sobre os segundos mais lentos, esperados e, enlouquecidamente, distantes. Sei falar do que se quer e parece que não chega, não espera, não avisa, não dá esperanças. Sei falar. Mas, definitivamente, não quero sentir.

Saudações!

Decretado pela Rainha de Copas às 11:49


Os outros setenta e dois.

Querida, eu não gosto de cinza. Eu não gosto do neutro. Eu não gosto do zero a zero. Eu sou oito ou oitenta e os setenta e dois que ficaram entre os dois... Eu não quero saber. Porque dos passos que eu vou dar com os all star que eu um dia ainda vou comprar, só eu sei. E mais ninguém. E se eu faço e sou responsável por tudo aquilo que irá me acontecer e por todos os sorrisos ou lágrimas que eu vou escolher se farão ou não parte do meu dia-a-dia, eu escolho o azul, o verde, o rosa e todas as cores juntas. Escolho tudo ao mesmo tempo e o nada juntos. Escolho viver, escolher, errar, cair e depois... Depois olhar pra trás e ver que valeu. Se for verde-limão, opa! De longe verão que há cor, que há brilho... E se no fim, a bola de cristal que eu pensei ser o meu mundo estourar e juntar os pedaços não parecer tão empolgante assim... Fazer o que? Eu vou pegar um balde de tinta e pintar o meu coração de outra cor. Mas não cinza. Definitivamente.

Saudações!

Ps.: Foi coment que virou post.

Decretado pela Rainha de Copas às 12:15


In. Out. After. Now.

Eu sou mesmo muito inquieta. Não sei ficar parada muito tempo, nem sei comer comida fria. Não sei [nem gosto] de esperar por algo que eu sei que posso, mas não sei se consigo. Porque, na verdade, eu gosto tanto de novidade quanto gosto de feijão com arroz. E, no meu caso, inquietude combina perfeitamente com indecisão e eu fico sem saber o que vou fazer amanhã. Talvez eu deixe amanhã pra amanhã e vou vivendo hoje, por enquanto. Mas e depois? Eu não aprendi a viver sem pesar, pensar e ansiar. Quem sabe, eu seja mesmo essa menina que queria morar dentro de uma bola de cristal pra sempre e deseje sempre arroz com feijão. Mas olhar sempre por cima do muro me faz esquecer de olhar pro meu próprio quintal. Por isso, vou guardar o banquinho e brincar de viver a minha vida, cada dia de cada vez. Amanhã eu penso no amanhã. E depois, fica pra depois.

Saudações!

Decretado pela Rainha de Copas às 14:01


Ciúme.

De acordo com a psicóloga Ayala Pines, ciúme é a reação complexa a uma ameaça perceptível a uma relação valiosa ou à sua qualidade. Segundo a psicóloga clínica Mariagrazia Marini o ciúme está relacionado com a falta de confiança (no outro ou em si próprio) ou obsessão.

Eu não sou psicóloga. Mas sei do ciúme que você me desperta. Pra mim, ciúme é ver você com muitas beibes e muitos meus amores e muitas marias e muitos bebês e muitas princesas e muitos môres. Pra mim, ciúme é ver que você querer casar comigo e ser feliz comigo e mesmo assim ver muitas que dançam pra ti, querem casar contigo e querem te fazer feliz. E ainda quererem que você as chame de beibe, de meu amor, de maria, de bebê, de minha princesa e de môre. Ciúme é querer que só eu more no teu coração e não haja mais espaços para nenhuma outra palavra, outra pessoa. Que seu coração não queira estar em qualquer outro lugar que não seja onde eu estou, mesmo que longe. Talvez Pines e Marini estejam certas. Na teoria. Eu... Eu sei da prática. Mas também sei que é a mim que você vai chamar de mulher.

Saudações!

Decretado pela Rainha de Copas às 10:50


Enfim.

Eu queria saber fazer musica e letra e ser ritmo bem no seu ritmo. Queria ser luz e vontade e desejo mesmo quando nada vem tão intensamente diante do devagar dos passos mais lentos. Queria ser calmaria nos dias mais apressados e cheios de agonia. Queria mesmo era ser tudo quando tudo é nada. Mas querer e poder estão tão espaçadamente separados no meu espaço de tempo tão estranhamente distribuídos que querer já é rotina e ser virou utopia. Mas amar ainda é realidade. E o melhor: ser correspondida ainda é possível, visível, tocável e nem tão dificilmente sentido. Sou eu, você e nada mais do que está ao redor importa. Nada vira tudo. E o que eu queria, nem sei se importa tanto assim, porque perco a noção do som, do toque, da pressa, do lento ou de qualquer outra coisa. Bastam suas medidas, seus suspiros, seus sorrisos. Basta ser sua. E você, meu.


Saudações!

Decretado pela Rainha de Copas às 11:37


Números.

Eu sempre ficava ligada nesse lance de numerologia, horóscopo, ascendente e afins. Não que eu acreditasse, mas ler de vez enquanto pra ver o que podia ser e ver uma visão sempre otimista e filosófica a respeito do que eles generalizam ser a personalidade de um largo grupo de pessoas parecia legal, mas nunca me viciou. Mas o que eu descobri lendo horóscopos no jornal e sabendo sobre a minha personalidade de uma pisciana romântica, assumida e boba como todas as outras é que, se meu signo combina ou não com o seu, pouco importa. Se a soma do número do dia, mês e ano que você nasceu é o número que dizem que foi feito pro meu, ou não, e daí? Eu não li horóscopo, não somei os algarismos da dezena com os das unidades... Eu não precisei fazer nada disso pra saber que você é meu número. E qualquer outro número que digam que é meu, é você. Porque não há outro modo de ser.


Saudações!

Decretado pela Rainha de Copas às 14:38


Entendi.

Ok, beibe. Eu já entendi que você é durão e que talvez nada consiga tirar do teu rosto essa tua cara de mau. Mas acontece que você é bom, mesmo sendo mau. E consegue me dizer o que eu quero ouvir até mesmo quando fica calado, quando some e me mantém refém de uma espera quase infinita por um chamado teu. Espera que só cessa quando eu recebo um bom dia, um bom beijo, uma boa palavra, um bom conjunto de palavras que fazem mais sentido que todo esse texto sem noção que eu tento escrever só pra te dizer que eu quero tanto você quanto aquelas palavras de vontade que você finge que diz e cala. E eu espero. Mas chega. Você vai ver como chega... E essa tua cara de durão... Você nem vai se lembrar de armar. Só vai querer saber de me amar e pronto. Eu entendi.

Saudações!

Decretado pela Rainha de Copas às 01:09


Brincando de ser kaleidoscópio. {ou: incrível como músicas sempre dizem melhor o que a gente não sabe dizer}

"Você me apareceu, fez o tudo virar nada e vice-versa. Fui submersa, a azeitona na empada que era eu. Você é dono do caroço da azeitona da empada que comeu. Você me apareceu, fez o nada virar tudo, me deixou muda de tanta manha... Cê me acanha. Minha estranha é o prazer de que sempre padeço, é do fim como esse reconheço que o avesso sempre esteve aqui. Minha estranha é o engano de minha certeza, é o insano que há na beleza. A tristeza que me faz sorrir."

Saudações!

Decretado pela Rainha de Copas às 11:21


Tudo de novo.

Ok. Vamos começar tudo de novo. Eu sou perita em começar sempre de novo. Sou perita nisso de começar do zero, mesmo que a lousa [ou quadro-negro – como queira chamar] na qual vou começar a escrever de novo a historia da minha vida não seja assim tão negro, assim tão nova. Mesmo assim eu tento, escrevo, vivo. Como se estivesse tudo novo, se nunca tivesse caído, ou sofrido ou vivido, ou amado ou desejado. Eu vou. Mesmo que eu chegue tarde, mesmo que já seja tarde. Tarde? O ano mal começou e já é tarde? Que importa? Importa que eu vou. De novo. Começar e viver e amar. Se der certo, iabadabadú. Se não, putz! Me empresta o apagador? Eu preciso limpar uma lousa, um quadro-negro, limpar o terreno ou seja lá o que for... E começar de novo. Que venha um ano inteirinho. Estou de giz na mão. Com sede do novo.

Saudações!

Decretado pela Rainha de Copas às 01:51


A Rainha



menina de vinte poucos.
que viveu muito em pouco.
que sorriu pouco em muito.
que vive sorrindo muito.
mulher de vinte e poucos.
que sofre, ama e não cansa.
de buscar dias melhores,
dias mais felizes.
menina mulher que não cansa.
de sonhar. de viver. de sorrir.
de confiar. de ter fé.
mulher menina que muito em pouco
fez pouco de muito.
e agora é rainha mesmo
não sendo majestade.

menina moça mulher do naipe coração.

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