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Sexta Poética 50

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Encontrei o segredo, a chave de vidro
das palavras que escrevo; e tenho medo.
Talvez nos campos imensos, onde o lírio floresce,
na margem de rio que abriga, de manhã cedo,
os teus pés de ninfa, num engano de idade,
me tenhas visto à sombra de um rochedo;
e se os teus lábios, entreabertos num torpor
de romã, me tocaram num sonho bêbedo,
deles só lembro, imprecisos, fluxos
de incêndio numa hipótese de amor.

{Nuno Júdice}


Nuno Júdice
Licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa e obteve o grau de Doutor pela Universidade Nova, onde é Professor Catedrático, apresentando, em 1989, uma dissertação sobre Literatura Medieval.

«Apenas uma coisa inteiramente transparente
o céu, e por baixo dele a linha obscura do horizonte
nos teus olhos»

Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal e Diretor do Instituto Camões em Paris, publicou antologias, edições de crítica literária, estudos sobre Teoria da Literatura e Literatura Portuguesa e mantém uma colaboração regular na imprensa.

«A parábola
capital a tua vida cortada ao meio, como se não
houvesse uma direcção única a prosseguir até ao
fim.»

Divulgador da literatura portuguesa do século XX, é um ensaísta, poeta, ficcionista e professor universitário, a sua estreia literária deu-se com A Noção de Poema (1972), com seus livros recebeu varios e importantes prêmios.

«Vi as mulheres azuis do equinócio
voarem como pássaros cegos; e os seus corpos
sem asas afogarem-se, devagar, nos lagos
vulcânicos.»

Seu amor pela poesia já é algo maravilhoso, sua vontade de levar a poesia para todos os lugares, de fazer com que ela seja vista, lida e sentida já é motivo para se elogiar esse poeta, mas para além disso, tem uma poesia forte e marcante, que nos faz suspirar e logo querer ler mais.

«O que é mais simples,
como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se
encontra no curso previsível da vida.»

Ótimo fim de semana pra você.

Fernando Pessoa – Poema do Dia: “25″ - Leia!!!
Florbela Espanca – Poema do Dia: “A um livro” - Leia!!!

Nem os dias longos me separam da tua imagem.
Abro-a no espelho de um céu monótono, ou
deixo que a tarde a prolongue no tédio dos
horizontes. O perfil cinzento da montanha,
para norte, e a linha azul do mar, a sul,
dão-lhe a moldura cujo centro se esvazia
quando, ao dizer o teu nome, a realidade do
som apaga a ilusão de um rosto. Então, desejo
o silêncio para que dele possas renascer,
sombra, e dessa presença possa abstrair a
tua memória.
{“Nuno Júdice”}


17 comentários

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  1. Adoro este poeta. Sempre o leio pela rede.
    Obrigada, Bill, por contar sobre ele.

    beijos

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  2. Luísa

    e eu então o que direi?

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