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Sexta Poética 45

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Coisa amar

Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te logamente como doi

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

{Manuel Alegre}


Manuel Alegre
Manuel Alegre de Melo Duarte nasceu a 12 de Maio de 1936 em Águeda. Estudou Direito na Universidade de Coimbra, onde foi um ativo dirigente estudantil.
Foi fundador do CITAC – Centro de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra, membro do TEUC – Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra.

«… eu quero o cruzeiro do sul das tuas mãos
quero o teu nome escrito nas marés…»

Esteve exilado na Argélia durante o período Estado Novo. É membro destacado do Partido Socialista português, partido do qual foi fundador e Vice-Presidente.
Na ultima eleição para presidente de Portugal, ele foi candidato, não ganhou, mas pelo que vi teve muito apoio, se seria um bom presidente, creio que somente meus amigos de além mar poderiam me dizer.

«Eu não sei se me salvo ou se me perco
ou se és tu que te perdes e me salvas
só sei que me redimo quando peco…»

Voz inconformada e inconformista destacou-se em vários géneros literários mas é na poesia que o seu nome é bem conhecido.
Dedicou-se essencialmente à poesia, onde combinava a intenção política com uma dimensão lírica influenciada pela poesia.

«o homem não tem outros limites senão os da sua própria liberdade»

A poesia de Manuel Alegre é um hino à Liberdade, fez e faz parte da historia.
Um dos poeta mais cantado pelos músicos portugueses, suas palavra encantam, nos trazem a realidade, versos de verdade pura, poeta livre.

«Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
E o vento cala a desgraça
O vento nada me diz.»

Ótimo fim de semana pra você.

Fernando Pessoa – Poema do Dia: “Súbita…” - Leia!!!
Florbela Espanca – Poema do Dia: “?!” - Leia!!!

… Não sei de amor senão o não ter tido
teu corpo que não cesso de perder
nem de outro modo sei se tem sentido
este amor que só vive de não ter
o teu corpo que é meu porque perdido
não sei de amor senão esse doer…
{“Manuel Alegre”}


17 comentários

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  1. nicole

    Adorei e apenas tenho 10 anos

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  2. nicole

    adorei e apenas tenho 10 anos.

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