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Sexta Poética 42

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Inventámo-nos

Inventámo-nos. Somos
Eco do mesmo apelo reconhecido,
A mesma busca
Dum resgate impossível.
A mesma fome nos ergueu
Os braços
A um gesto de encontro,
Um riso,
Um pólen na viagem do vento.
E eis que o pássaro inexistente
Pousa
Concreto e tangível
Sobre os nossos ombros.

{Egito Gonçalves}


Egito Gonçalves – {Matosinhos,1920 - Porto, 2001}
Poeta, editor e tradutor. Depois de efetuar estudos técnicos na cidade do Porto, Egito Gonçalves iniciou a sua atividade literária durante o serviço militar em Ponta Delgada

(Açores), tendo publicado os primeiros livros em 1950.

«Atravessa-nos um rio de palavras:
Com elas me deito, me levanto,
E faltam-me palavras para contar…»

Esteve ligado a várias revistas poéticas, publicou alguns poemas seus na “Távola Redonda”, dirigiu “A Serpente” e fez parte da direção da “Árvore”.

«Mas diz-lhes que se mantém indevassável
o segredo das torres que nos erguem,
e suspensa delas uma flor em lume
grita o seu nome incandescente e puro»

Paralelamente à sua atividade como poeta fez diversas traduções de obras de fição, poesia e ensaio, ao mesmo tempo que desenvolve uma intensa atividade editorial e se dedicou-se

a outro dos seus interesses, o teatro. Foi um dos fundadores do Teatro Experimental do Porto.

«Difícil é esperar
Quando sabemos
Nada haver a esperar.
O eco de uma lágrima não basta
Para dar vento à sementeira.»

Um grande poeta realmente e trabalhou tanto para divulgar a poesia que sua grandeza passará pela historia, com certeza, vale sempre ser lembrado.

«Tive um poema de amor
Na mão aberta
Quis com ele construir
Uma mesa
Uma jarra
Um assobio de perturbar
Fantasmas.
Abriram-me os dedos:
Caiu no chão um montão de palavras
Inabitáveis.»

Ótimo fim de semana pra você.

Fernando Pessoa – Poema do Dia: “XXXIII” - Leia!!!
Florbela Espanca – Poema do Dia: “Triste Destino!” - Leia!!!

O profundo silêncio das flores
é um lugar de ausência. Vazia moldura
para o vôo das aves, linha oscilante
de ligeira névoa
que nada revela do que talvez esconda.
{“Egito Gonçalves”}


17 comentários

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  1. To sumida… mas nao da pra esquecer deste blog…
    obrigada pela visita!
    abraço pra ti moço!
    ^^

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  2. Belíssimo poema!

    “um pólen na viagem do vento”. Ao mesmo tempo, frágil e essencial”.

    beijos, boa semana para você.

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