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Sexta Poética 27

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nada entre nós tem o nome da pressa.
conhecemo-nos assim, devagar, o cuidado
traçou os seus próprios labirintos. sobre a pele
é sempre a primeira vez que os gestos acontecem. porém,

se se abrir uma porta para o verão, vemos as mesmas coisas –
o que fica para além da planície e da falésia; a ilha,
um rebanho, um barco à espera de partir, uma palavra
que nunca escreveremos. entre nós

o tempo desenha-se assim, devagar.
daríamos sempre pelo mais pequeno engano.

{Maria do Rosário Pedreira}


Maria do Rosário Pedreira
Nasceu em Lisboa, em 1959, licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, na variante de Estudos Franceses e Ingleses, pela Universidade de Lisboa (1981), foi também professora de Português e Francês (durante cinco anos), atividade que a influenciou decisivamente no sentido do assumir de uma escrita para um público jovem.

«Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo – um nome sim.»

Como escritora, tem já publicados vários trabalhos de ficção, poesia, ensaio, crônicas e literatura juvenil, procurando neste último gênero a transmissão de valores humanos e culturais.

«houve sempre coisas de esguelha nas paisagens
e amores imperfeitos – Deus tem as mãos grandes.»

Para a Autora – já distinguida com alguns prêmios literários – , a casa pode ser considerada como um mundo onde se encerra tudo aquilo que vai perdurando, mesmo que sob a forma da memória, nostalgicamente.

«Se partires, não me abraces – a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.»

Podemos definir a poesia de Maria do Rosário como uma poesia de ternura, é intensa para quem lê, e tem uma aparente fragilidade que se quebra nas belas palavras, com poesia sincera e pura, magia das palavras, essa mulher tem poemas maravilhosos.

«Volto à casa e demoro-me nos quartos frios do silêncio.
Esconderam os retratos dentro dos livros. E os livros
nas gavetas. E fizeram as camas para sempre de lavado»

Otimo fim de semana pra você.

Florbela Espanca – Poema do Dia: “Verdades Cruéis” - Leia!!!

Este foi o nosso último abraço. E quando,
daqui a nada, deixares o chão desta casa
encostarei amorosamente os lábios ao teu copo
para sentir o sabor desse beijo que hoje não
daremos. E então, sim, poderei também eu
partir, sabendo que, afinal, o que tive da vida
foi mais, muito mais, do que mereci.
{“Maria do Rosário Pedreira”}


17 comentários

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  1. Sônia

    Olá Bill, como vai você?
    Uma ótima terça!

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  2. Gosto muito de vir aqui, sempre aprendo mais um pouco, beijos querido Bill

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