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Sexta Poética 18

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Tal como és, assim te quero, e sempre
diverso cada dia do que foste;
cada imperfeito gesto que inventares
me fará desejar-te em outro verso.
Da arte do soneto feito mestre
no concurso sem regra da floresta,
na mais pequena folha te descubro
e no caule do vento é que te perco.
Da turva luz já retirei o emblema
que me sirva de rosto permanente
e venha o cabeçalho do poema;
e pedirei á noite que me empreste
um farrapo do manto incandescente
de que se veste, agora, para ter-te.

{António Franco Alexandre}


António Franco Alexandre

Nascido em 17 de Junho de 1944, em Viseu, António Franco Alexandre é tido como um dos melhores poetas da actualidade. Doutorado em Matemática e em Filosofia, viveu e estudou em França e nos Estados Unidos

«Depende dos dias, às vezes detesto-os todos,
às vezes gosto de todos…»

A estreia na publicação dá-se em 1969, com Distância. O ano da revolução de Abril é especialmente prolífero: o poeta lança Visitação, A Pequena Face, Dos Jogos de Inverno, Sem Palavras Nem Coisas. É desde 1975 professor do departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

«porque sei que me esqueces é que lembro
cada instante o que perco e não vem mais.»

António Franco Alexandre é poeta sólido, intenso e de uma musicalidade hamoniosa, mescla o real, a fantasia em seus versos de sonhos, grande intelectual, um poeta admirável que tem uma obra marcante.

«assim em vós vos perderei, enfim»

Otimo fim de semana pra você.

Florbela Espanca – Poema do Dia: “Quem sabe?… ” - Leia!!!

ah a força do amor devia tornar
os corpos transparentes, até ao centro opaco
onde desejam. Se deste amor tão raro
te desejo, como pode
o duro deus negá-lo?
Este resto de vida que me cabe,
o veneno na taça, o corpo espesso,
como vivê-los sem a sombra de água
sem a língua de lume do teu sangue?

{“António Franco Alexandre”}


23 comentários

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  1. Mel

    Bill, um ótimo fim de semana!
    Beijo

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  2. Anny

    Que excelente sugestão para o “começo” do fim de semana :)
    Amamos o imperfeito, mesmo tendo noção disso mesmo.

    Um beijo Bill [:

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  3. Patty

    Bill,
    Esses versos são maravilhosos! Li, reli e vou copiar pra mim. Mas, um q não conhecia e vai pra minha lista “Preciso pesquisar”.

    Ainda bem q existe vc pra dividir com a gente tanto talento desses homens e mulheres repletos de palavras…

    Beijos grande meu amigo e bom domingo!!!

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  4. Lara

    Não é a toa que seu blog é um dos que mais gosto de ler…aprendo muito por aqui!
    Bju

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  5. Amanda

    «Depende dos dias, às vezes detesto-os todos,
    às vezes gosto de todos…»

    Ontem gostei de todos os dias. Me senti feliz. Vi o sol. Hoje li o poeta, senti a sua interação do sublime com as pequenas coisas… Poetas imperdíveis, como sempre!

    Ah, agora estou lendo uma poeta brasileira dos anos 70 – Ana Cristina César. Postei a foto dela e um trechinho lá no meu fotolog. Creio que vá gostar!

    Espero o e-mail, então, seu moço!
    Beijos e um ótimo restinho de fim de semana pra você!

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  6. Olá Bill…. nossa, q poema lindo…. eu sempre me surpreendo com poemas cada vez mais lindos e suaves que leio aqui…. parabéns!!!

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  7. Becka

    Ownnnn
    o Bill comentou no meu blog em inglÊs
    aohauahauahuahu adoreeii
    e jah postei um texto novo ;]
    e ah…tow indo postar no pensamentos..
    depois passa lahok?

    =**

    http://www.pensamentosaleatorios.blogger.com.br

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  8. Chocolate com Pimenta

    António Franco Alexandre,esse nome não conhecia.E pra variar fui no mercadinho Google logo de cara li aquele trecho ali que separou.
    “Depende dos dias , às vezes detesto-os todos,
    às vezes gosto de todos..”

    Mais um nome ótimo.

    Ps:Humph!Ô povinho hein,bati os olhos em alguns.Não preciso nem dizer né.

    “Tal como és,assim te quero,e sempre” seu moço : )

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