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Sexta Poética 17

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Já ali não estavas. Quando te pedi já
nunca tinhas existido; nem eu nem a rocha
na pequena praia onde estivéramos. Depois
foram todos os nomes do corpo: eu tentava
mas não conseguia reuni-los. Ficariam
como os pedaços daquele vaso que não se pode
reconstruir todo porque é menor que as suas
partes. E depois foram desaparecendo, levando-me
o próprio nome e a fala do mundo.
Já não existiam nem eu existia já.
Já nunca tínhamos existido agora.

{Manuel Gusmão}


Manuel Gusmão

Manuel Gusmão nasceu em Évora, em 11 de Dezembro de 1945, licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, com uma tese sobre o Fausto de Pessoa e doutorou-se em Literatura Francesa, com uma tese sobre a poética de Francis Ponge.

«A poesia recapitula o mundo/chamando-o em cada chama/pela chama de cada sílaba.»

É professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, desenvolvendo trabalho nas áreas da Literatura Portuguesa, Literatura Francesa e Teoria da Literatura.

«Penso que a escrita é uma procura das palavras no seu ponto de vibração mais intenso.»

Como ensaísta, crítico e professor universitário, a obra de Manuel Gusmão associa o rigor do acadêmico à sensibilidade de poeta, tanto nos ensaios publicados como em intervenções em sessões públicas.
Manuel Gusmão tem, também, contribuído ativamente para o debate público sobre a renovação do ensino da Literatura.

«Enterra no silêncio da pedra essa intolerável coisa
que é a infância, as vozes da noite do poço.»

Um “Poeta Tardio”, que é a prova viva que poesia é atemporal, um dos mais importantes poetas da atualidade, um poeta forte, vencedor de vários prêmios, encontrou um caminho para sua poesia que é intenso e encanta os olhos e a alma, linguagem e paixão nos versos puros desse poeta fantástico.

Otimo fim de semana pra você.

Florbela Espanca – Poema do Dia: “?” - Leia!!!

Quando me tiveres apagado, morto ou só feito
da matéria da memória, dança uma dança por nada
e debruça em arco o teu corpo sobre o poço da morte
sobre o corpo dividido e espalhado pela última praia

{“Manuel Gusmão”}


32 comentários

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  1. Obrigado por me ter revalado António Franco Alexandre, que eu não conhecia.

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  2. olá irmão…
    gostaria de lhe pedi que se possivél, vc publica-se algumas das minhas poesias e textos.
    ta lá no meu blog:http://literariacientifica.uniblog.com.br/
    da uma olhada lá e me responde certo…
    waleu….

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