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Sexta Poética 14

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Encosto-me à morte sem amparo ou sombra
Como o grão alheio-me da flor que virá e venho
À superfície do teu sonho

Como se acordasse a mão que semeia
No coração lavrado de quem faz a ceifa
Rebento no interior da morte como o trigo

Rebento no interior do trigo
E de qualquer planta que se assemelhe a ti.

{Daniel Faria}


Daniel Faria {10/04/1971 – 09/06/1999}

Daniel Augusto da Cunha Faria nasceu em Baltar, Paredes, a 10 de Abril de 1971.
Frequentou o curso de Teologia na Universidade Católica Portuguesa – Porto.
No Seminário e na Faculdade de Teologia criou gosto por entender a poesia e dialogar com a expressão contemporânea. Licenciou-se em Estudos Portugueses na faculdade de Letras da Universidade do Porto.

“Busquemos apenas
As palavras repetidas
As gaivotas mais altas
Mais perdidas”

A partir de 1990, e durante vários anos, esteve ligado à paróquia de Santa Marinha de Fornos, Marco de Canaveses. Aí demonstrou o seu enorme potencial de sensibilidade criativa encenando, com poucos recursos, As Artimanhas de Scapan e o Auto da Barca do Inferno.

“Trinquei o vidro e ouvi o coração da mulher estalar:
A mulher era uma ilha de todos os lados
Na sua força de um redemoinho parado.”

Faleceu a 9 de Junho de 1999 quando estava prestes a concluir o noviciado no Mosteiro Beneditino de Singeverga.
A sua obra poética é uma das mais fascinantes da segunda metade do séc. XX português.

“A princípio as palavras alumbram.
Porque no escuro
O coração pára de correr. “

Os poemas de Daniel trazem uma luz embutida nas letras, quando se chega no final se depara com um ponto como sendo um abismo de ideias, claridade da vida. Um dos meus poetas preferidos.

Otimo fim de semana pra você.

Fernando Pessoa – Poema do Dia: “Fragmentos 16″- Leia!!!
Florbela Espanca – Poema do Dia: “Nostalgia” - Leia!!!

procuro o lento cimo da transformação
um som intenso. o vento na árvore fechada
a árvore parada que não vem ao meu encontro.
chamo-a com assobios, convoco pássaros
e amo a lenta floração dos bandos.
procuro o cimo de um voo, um planalto
muito extenso. e amo tanto
a árvore que abre a flor em silêncio.

{“Daniel Faria”}


32 comentários

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  1. Tina

    Bill:

    Simplesmente magnífico. Obrigada.

    beijos querido,

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  2. Laila

    muito bom esse cara…

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