rss Buscar

Sexta Poética 08

line


Anjo

Não o pombo futurista mas a sombra
no ângulo vazio a folha de hera
e as orquídeas brancas na garganta
a vertigem do grito o labirinto a lâmina

as aves que evoluem não regressam
devoraram o espaço onde existiam
assinalam agora outras galáxias
cicatrizes rosáceas

a asa é o recanto da memória
o vértice onde o corpo não pesou
agora só gorjeio a harpa morna
musgo nos olhos o anjo de granito

{Teresa Balté}


É quase de berço a ligação de Teresa Balté à poesia. O pai, o cirurgião António Balté, escrevia poemas, a mãe, Teresa, professora do Ensino Secundário também o fazia circunstancialmente. Não é de estranhar que tenha começado a ensaiar as suas rimas muito cedo. Tanto mais que em casa havia uma grande biblioteca a que sempre teve acesso livre. Seria, porém, mais tarde, quando já andava na Faculdade de Letras de Lisboa, que iria descobrir os poetas que a marcaram decisivamente. Primeiro, deslumbrou-se com os brasileiros, Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Morais, depois amou os franceses, Arthur Rimbaud e Paul Verlaine, e por fim descobriu os anglo-saxónicos.

“Vimos da escuridão e somos luz
ou nascemos da luz e somos sombra?”

Ocupa-se, como sempre, de diferentes tarefas e preza a amizade tanto quanto deplora a solidão. «Temos a responsabilidade de viver», diz.
Trabalhou como tradutora e redatora para a revista Humboldt, fez episodicamente crítica musical para o Diário de Lisboa e o Jornal do Comércio e secretariou ações de apoio a refugiados.
Publicou, também, um ensaio sobre a obra do pintor, desenhador e ceramista alemão Hein Semke, que se radicou em Portugal, cujos desenhos são, aliás, presença habitual nos seus livros.

O que mais surpreende em Teresa Balté é a aparente facilidade com que se apropria um simbolismo que pede ao leitor perante essa poesia tanta inteligência e sensibilidade quanto lhe possa dispensar mas que, mesmo sem esse esforço é sentido (pelo menos sentido!) pelo mais mediano dos leitores de Poesia. – {José Blanc de Portugal}

Tem uma poesia pura, inequivocamente lírica, coerente e encantadora, pouco conhecida pelas margens de cá do oceano, é uma poetisa fantastica.

Otimo fim de semana pra você.

Fernando Pessoa – Poema do Dia: “Entre O Que Vejo”- Leia!!!
Florbela Espanca – Poema do Dia: “Para quê?!” - Leia!!!

Quase não ouso escrever
já disse tudo

articulo a voz pelo caminho:
inspiro a manhã
cintilo ao vento
solto-me ao passar pelo mundo.

{“Teresa Balté”}


21 comentários

line
  1. Julis

    Lindas as poesias dela!! Adorei

    line
  2. Uma graça de poesia!!!
    Big Beijosssssssss

    line
  3. Lino

    Para quem como eu gosta de poesia, este seu espaço é uma ótima visita, pois sempre nos brinda com o que há de melhor dos poetas brasileiros e portugueses. Não conhecia a Teresa e sua poesia, que é muito bela e de um simbolismo forte. Vou procurar alguma coisa dela para uma visão melhor.

    line
  4. Ana

    Poesia embeleza a vida. Adoooro! :)

    line
  5. Mel

    Uma boa semana, Bill. Beijo

    line
  6. Supercalifragilisticexpialidocious

    Obrigada seu mooooooço,por abrir minha mente tapada hohoho

    Anotando para saber mais sobre essa poetisa,que já pelas influências arrasou,Paul Verlaine,ai,ai adoro.

    line

Deixe uma resposta