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Sexta Poética 05

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Ausência

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

{Sophia de Mello Breyner Andresen}


Sophia de Mello Breyner Andresen {Porto, 6 de Novembro de 1919 — Lisboa, 2 de Julho de 2004} é, sem sombra de dúvida, um dos maiores poetas portugueses contemporâneos – um nome que se transformou, em sinônimo de Poesia e de musa da própria poesia.
Sophia nasceu no Porto, em 1919, no seio de uma família aristocrática. A sua infância e adolescência decorrem entre o Porto e Lisboa, onde cursou Filologia Clássica.
Profundamente mediterrânica na sua tonalidade, a linguagem poética de Sophia de Mello Breyner denota, para além da sólida cultura clássica da autora e da sua paixão pela cultura grega, a pureza e a transparência da palavra na sua relação da linguagem com as coisas, a luminosidade de um mundo onde intelecto e ritmo se harmonizam na forma melódica, perfeita, do poema.

“Cortaram os trigos. Agora
A minha solidão vê-se melhor”

Luz, verticalidade e magia estão, aliás, sempre presentes na obra de Sophia, quer na obra poética, quer na importante obra para crianças que, inicialmente destinada aos seus cinco filhos, rapidamente se transformou em clássico da literatura infantil em Portugal, marcando sucessivas gerações de jovens leitores com títulos como “O Rapaz de Bronze”, “A Fada Oriana” ou “A Menina do Mar”.
Uma poetisa singular, sempre que vejo o mar me lembro de suas doces palavras, uma das minhas preferidas, uma grande poetisa e seus sonhos em versos.

“Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto ao mar”

Bom fim de semana pra você.

Fernando Pessoa – Poema do Dia: “Súbdito Inútil”- Leia!!!
Florbela Espanca – Poema do Dia: “Versos” - Leia!!!

No ponto onde o silencio e a solidão
Se cruzam com a noite e com o frio,
Esperei como quem espera em vão,
tão nítido e preciso era o vazio.
{“Sophia de Mello Breyner Andresen”}


31 comentários

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  1. Maravilhosa e ludica, Sohphia seus poemas acalenta nossa alma

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