Realidade Torta

Sou um pouco do nada… Um conjunto de vazios…

Born of Hope

Nos descaminhos, nos cantos mais escuros da alma, encontramos por vezes um rastro de esperança.
Existe em mim um eco, um som profundo, perturbador….
Tantas vezes sou eu e o vazio… no dilema de quem se quebra primeiro…

Al Berto… Saudade

Um rasgão de luz sobre a pele, dormes na seiva doce das manhãs.
Mas sabes que só há repouso para o sofrimento quando se entra no primeiro dia dos dias sem ninguém.
(…) Viajo, sem me mexer desta enxerga branca. Tento encontrar espaço para a lucidez do meu silêncio.

{Al Berto}, in “Horto de Incêndio”
11/01/1948 - 13/06/1997

Natal…

E lá se vai outro ano, nunca um igual ao outro, ao meu ver a cada ano tudo fica mais amargo… Mas distante do sonho que criamos em outros tempos.
Foi um ano estranho onde perdi uma parte da minha vida, uma pessoa amada, ainda não me acostumei, acredito que nunca vá me acostumar, ainda vejo aqueles calmos olhos azuis e ainda me doi só poder lembrar…
Os caminhos traçados parecem não ter direção unica, já me perdi tantas vezes que nem sei mais onde queria chegar assim fico na duvida se estou fazendo o que é certo ou não…
Não sou de fazer planos, desde que descobri que eles teimam em não dar certo, não é pessimismo é uma constatação, todos os planos traçados chegam a um fim que nunca é o que planejamos, felizes ou não o fim deve ser o começo de outro plano e assim por diante… Já não espero que eles se realizem…
Simplesmente sigo… em um desses caminhos ganhei uma segunda familia, com pessoas tão especiais que não saberia mais viver sem eles, um Campo cheio de flores e sorrisos, um Belo sonho pintado a varias mãos…
Então o que desejar para o próximo ano… Poderia desejar o que vemos por ai nas ruas, feliz natal e um feliz ano novo… Com luzes e presente… Mas prefiro desejar que a esperança se renove…Que tudo seja o que tiver que ser e que possamos sorrir… chorar… e viver.

Desejos dias cheios de surpresas e realizações.

Dia do poeta… Com poesia…

Há uma roda de dedos no ar.
A língua flamejante.
Noite, uma inextinguível
inexprimível
noite. Uma noite máxima pelo pensamento.
Pela voz entre as águas tão verdes no sono.
Antiguidade que se transfigura, ladeada
por gestos ocupados no lume.

{ Herberto Helder, Ofício Cantante }

Minuit

Au-dedans de nous-mêmes (…) ce n’est pas très loin, et c’est pourtant si loin qu’on n’a pas toujours assez de toute une vie pour y arriver.

{Julien Green}